sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Dois passos adiante e minha mente repousa recostada em muros altos.
Aparentemente distante,intensifica os segundos soprando distração e medo
pra debaixo do tapete.
Por cima do ombro,olho para o silêncio da vida,retrovisor embaçado e labiríntico.
Caleidoscópico.
Sente-se aqui, ao meu lado,responda algumas poucas questões sem esboçar qualquer reação.
É assim que me torno mais que a sombra de um guerreiro injustiçado.
É assim que me torno mais humano e menos dormente.
É assim que sacrifico todas as almas e jogo pelo bueiro aquela dúzia de moedas enferrujadas.
Não é nada,não há de ser nada.
Um segundo de pausa.
Um suspiro e um grito.
A música sobe lentamente.
A luz se apaga.
Embora seu vulto se avolume e se distancie,permaneço imóvel.
Todo o ar ao redor se solidifica.
O eterno me estrangula ,sorridente,sussurrando frases desconexas.
Me ajoelho devagar,depois deito e meu sonho se faz, belo e infinito.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Morra

Eu andava lentamente,com o corpo vazio.
Um tiro na cara,porra.
Levei um tiro na cara e permaneço sóbrio.
Você sorri nervosamente,um sorriso podre de desgosto e lágrima.
Nem precisei me levantar da cadeira, outro trago, a certeza burocrática de mil anjos mortos.
A fumaça invadia a retina e sufocava os pensamentos.
Um outro acorde infinito.
Tropecei lentamente no destino, morri outra vez, nem lembro mais quantas vezes essa semana.
Segurei o revólver, ainda quente.
Gritei com força.
A garoa fina permanecia dançando no teto da minha mente.
Atire, filho da puta.
Atire.
O sangue apenas esperava o momento certo pra correr livremente pelo chão sujo.
Atire.
Um casal se beijava ao som de um violão desafinado.
Atire.
Um copo de cerveja desaba da mão frouxa de um senhor embriagado e se estilhaça no chão.
Morra.
Levantei voo.
fechei os olhos e atirei.
Estou sentado de frente para a tevê desligada.
Faz duas horas.
Lá fora a garoa fina despeja suór de graça no dorso da realidade.
Dois segundos.
o mundo cai sem vida sob meus pés.

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