quinta-feira, 3 de setembro de 2020

O Duende

 Não lembro ter nascido, repuxo migalhas de memórias e me assombro com o vazio que encontro.

Quando olho para dentro apenas vejo um coração pulsante, como uma espécie de alma gerada pelo medo e pela solidão, um feto subtraído da dor mais profunda, alimentado pelos gritos de sofrimento e devastação.

Porém não tenho alma.

Os caminhos tortuosos que minha mente engendra se repetem, o tempo é um velho amigo, que me afaga com mãos de fogo.

Flutuo por sobre as pedras macias em direção à pirâmide, já está escurecendo, volteio a noite indagando aos ventos o que me atormenta desde que fui gerado.

Sento-me no ar, pernas cruzadas e olhar amarrado, mirando o breve horizonte das matas colocadas no mundo como palitos de dente fincados na terra.

— Onde estará meu genitor? Dou três moedas de ouro para aquele que encurralar a dúvida e fornecer fronteira para aquilo que não sei.

— Onde estará meu pai?

Na escuridão do carvão içado ao céu, na Lua pendurada por fios invisíveis, na melodia surda das corujas que não dormem, os tonéis de eternidade derramados naquele segundo deságuam em outras dimensões.

Os olhos cor de sangue vertendo pálidos sussurros, a fumaça nevoando a noite.

O chapéu cônico pairando sobre a cabeça, o grito horrendo que despedaça a alma:

— Onde está meu pai, onde está meu pai?

As lágrimas de vidro escorrem pela pele riscada.

Por onde cada fantasma, de cada reino, de cada dimensão estivesse, o tecido sobrenatural se enrugava espalhando a morte primordial entre cada fenda e cada fresta.

Não há pai. 
Não há ontem nem amanhã.

O futuro tropeça por entre os mantras cantados em línguas mortas.

Os uivos distantes devolvem à noite sua mansidão.

A seiva alcoólica se derrama pela garganta.

Eu como e bebo como os homens, falo e rio, posso adoecer, morrer e apodrecer também.

Assim como o homem é um rabisco grosseiro de Deus, sou um rabisco grosseiro do homem.

Os cobertores esquivos de cada pedaço de alma encobrem a realidade.

E a ideia pulsa mais uma vez no útero do medo.

Aqui, onde moro por tantos séculos, era uma terra de morte, tristeza e desolação.

Ainda hoje ouço os registros sonoros dos gritos dos leprosos que eram alijados de sua família e depositados aqui para morrerem, isolados.

Gritos que eu sinto em minhas mãos, feridas que sinto o cheiro, almas que assoviam no fundo da minha mente.

Quando se carrega o peso de todos os mortos sobre os ombros, pela eternidade, nosso corpo se achata, se torna menor.

Como o tempo é matéria líquida para mim, meus movimentos são ariscos, rápidos como relâmpagos.

Quando se caminha a passos lentos pela rua estreita das almas e se mergulha na cachoeira da eternidade, não devemos possuir muitos pertences, o universo é nossa casa, a natureza nosso alimento.

A pequena garrafa de seiva alcoólica que nunca acaba e a moeda que tudo compra e nunca é gasta, esses são eles, os objetos que carrego e que me carregam também.

Algumas coisas passam ao largo de minha compreensão, como se eu tivesse sido amordaçado a afazeres sem sentido.

Escondo objetos, roubo coisas, lanço maldições, um surto, um lapso, depois não me lembro de mais nada, tudo some, desaparece, e eu faço tudo de novo, um eterno retorno, uma ciranda que serpenteia através do tempo.

Flutuo até a pirâmide, todos os dias traço o mesmo caminho, o mesmo destino, meus olhos ardem, minha pele se enruga, dou um gole demorado na seiva da garrafa, bebo todo o líquido que logo surge de novo.

Reapareço alguns minutos depois cavalgando um velho cachorro sarnento, uma criança me acompanha com os olhos e sorri, sorrio de volta.

Sinto meu corpo vibrar, meus ossos tremerem, meu sangue ferver, o éter gelar minha consciência, uma consciência pálida e frágil.

A casa da pirâmide é minha morada, é ali que permaneço como guardião protetor desde muito tempo, desde quando nada estava construído.

As pedras de quartzito empilhadas, a vista para todo o horizonte, de todos os lados, as ondas intraterrenas e extraterrenas, o vento sussurrado pelas outras dimensões, tudo faz parte de mim e tem meu nome.

Uma vibração longínqua me fez distrair, cada distúrbio em meu vínculo com os fios invisíveis, cada perda de intensidade energética pode materializar meus pertences, e se de algum modo algum humano os utilizar, coisas terríveis podem acontecer.

Já é tarde, avisto alguns, caminhando com as pernas trançadas, murmurando algo e dando risada.

Sinto a atmosfera rarefeita, respiro com dificuldade, o ar não é meu elemento, é difícil conviver com isso, os fios começam a enfraquecer, a energia se dissipar, percebo que derrubei minha moeda mágica, um pequeno brilho transpareceu e o tilintar do encontro do níquel com o chão reverberou pelas dimensões, o humano agachou e recolheu a moeda, uma moeda comum, que adquiria qualquer valor, e ela sempre voltava, nunca acabava, nunca seria gasta.

Tremi e vibrei, desapareci e reapareci em quatro lugares diferentes.

— Olha essa moeda, cara.

— Que doideira, mano, tá brilhando.

— Tá escrito dez reais, que estranho, não sabia que existiam moedas de dez reais.

— Será que vale alguma coisa mesmo?

— Vamos tentar comprar algumas bebidas.

Acompanhei os humanos com os olhos, materializei-me perto da loja de bebidas e apurei meus ouvidos.

— Quantas garrafas de vinho dá pra comprar com essa moeda?

O garçom assumiu um ar sério e respondeu, como que enfeitiçado:

— Quantas vocês querem?

Os humanos saíram da loja com a mochila cheia de garrafas de vinho, um deles começou a gargalhar e a saltar.

— Mano, vocês me viram entregando a moeda para o cara lá na loja?

Todos eles disseram ter visto.

— A moeda tá aqui no meu bolso, tão vendo?

— Ela tá diferente...espera, tá escrito cem reais aí.

Observei a surpresa, a vaidade e a estupidez escalando os rostos vermelhos das criaturas.

— Vamos comprar mais bebidas, comida e maconha.

— Vamos ouvir Raul Seixas a noite toda e ficar chapado.

Eu acompanhava todo o percurso, como se não dependesse de mim aquela perseguição, algo pulsava diferente dentro do longo fio invisível que me ligava às outras dimensões, era o momento que eu iria sofrer o lapso, era a hora que eu seria guiado.

Abri os olhos e me vi diante de uma gigantesca árvore, mais três elementais me cercavam, uma Ondina, um Silfo, uma Salamandra e eu, o Gnomo.

Eu era o que tinha menos tempo de vida.

Uma voz me repreendeu.

Ouvi a vibração dentro de mim, senti que era por conta da moeda que havia perdido.

Um redemoinho espectral se apossou da atmosfera em volta e me transportou para o interior da casa da pirâmide.

O cheiro de urina era nauseante, eu impregnava esses humanos de toda sorte de pequenas maldições, algumas infecções urinárias, desinterias, toda sorte de doenças venéreas e fortes dores de estômago.

A tensão divina pela qual fui criado estava desordenada, sentia em meus ossos uma vibração que doía, tentava em vão canalizar essa energia, que se perdia no vento, queimava no fogo e adormecia nas águas.

Eu já estava ficando velho, logo teria de ir até a montanha da morte.

Minha árvore de aniversário iria definhar e morrer junto comigo.

Fui transportado para onde estavam os humanos e a moeda mágica, os três estavam vibrando ruídos agudos, gargalhando e ouvindo música alta.

— Tá rebocado, meu cumpadi, como os donos do mundo piraram, eles já são carrascos e vítimas do próprio mecanismo que criaram.

— Cara, não existe nada melhor que maconha, Raul e cerveja.

— Vinho.
— Vodka.
— Mulheres.

— Garanto que com essa sua moeda poderíamos ter qualquer mulher.

A moeda passou por diversas mãos, senti a vibração da extensão do meu corpo etéreo percorrer vários caminhos, observei seu tilintar em muitas gavetas de dinheiro, ela sempre retornava ao bolso da calça do humano, intacta.

Pude ouvir as batidas na porta e as mulheres entrando, a música, as gargalhadas, os gritos, a fumaça, a bebida sendo sorvida aos berros, os corpos se entrelaçando, os desmaios, a casa infestada de forças invisíveis.

A energia que era canalizada me entorpecia, desequilibrava o éter do qual sou feito, eu piscava, ressurgia, desaparecia, rodava em espiral, a moeda se sacudia em cima da mesa de centro.

Todos eles estavam desmaiados, os corpos nus, a música tocando, ensurdecedora.

Um dos humanos abriu os olhos, percebi que ele se assustou, não era possível, ele tinha me visto.

— O que é isso?

O grito preencheu a casa, as mulheres e os homens acordaram, todos olharam para o homem nu, que apontava para mim, com os olhos vermelhos e ácidos.

— Um gnomo, eu vi um gnomo. Porra, cara, eu vi um gnomo, eu sei que era, eu vi.

Os outros se riam até perderem o fôlego.

— Porra, cara, depois de ter fumado tanto e em São Tomé das Letras? Conta outra.

— Eu vi, eu sei que eu vi, não estou louco.

O rosto dele exalava medo.

Então o mais improvável aconteceu, o tecido da realidade despencou e eu surgi na frente de todos.

A música cessou, dava para ouvir um alfinete caindo.

Todos se apressaram em se vestir, apavorados, depois ficaram imóveis, com os rostos derretidos pelo medo.

— Quem é você? Um gnomo? O que você quer?

Eu apenas vibrei uma resposta e eles sentiram que eu tinha respondido, uma resposta de seiscentos anos, uma resposta de uma eternidade.

Um deles se aproximou, pegou a moeda da mesa do centro e ameaçou me devolver.

— É isso que você quer, não é?

Meu corpo etéreo se dispersou por alguns segundos e se iluminou, as retinas de cada um deles puderam absorver o som que saía do interior da terra.

Era um gemido ancestral.

— Não vamos devolver, é nossa, você é nosso prisioneiro.

Senti uma leve tontura, flutuei a dois palmos do chão, minha boca se abriu e dela brotou uma maldição, a luz foi se intensificando até explodir em um vermelho vivo, para depois se esvanecer devagar e sumir. O lapso temporal se aglutinou às minhas vísceras, meus olhos se fecharam e o gemido do centro do planeta fundiu-se com todas as dimensões.

Eu apaguei.

— Vocês viram isso?

As mulheres se despediram, atordoadas, sem entender o que tinha acontecido, a única memória viva estava com o humano que tinha a moeda em sua mão, nenhum outro se lembrava de nada.

— O gnomo, cara, ele quis retomar a moeda, eu não dei, cara, eu venci.

— Que gnomo, mano? Você está maluco.

Ressurgi na casa da pirâmide, montei no velho cachorro sarnento e dei algumas voltas pela cidade, entrei na gruta que levava à Machu Pichu, saltei do cachorro e acelerei a energia até chegar à cidade Inca, avistei vários elementais, devorei um pouco da energia cósmica dali e retornei à minha morada protegida.

— Cara, o que é essa ferida nas minhas costas?

— Está louco, cara, que ferida?

— Olha isso, cara, meu pé, está inchado e cheio feridas negras também.

— Te dou uma pancada na cara se continuar zoando com a minha cara.

— Vamos até a loja de bebidas, vamos encher a cara e chapar, estamos vendo coisas, pega a moeda mágica.

— É coisa daquele gnomo, eu sei, eu sinto.

— Que porra de gnomo, mano, vai continuar com essa história?

— A moeda não está mais aqui, você pegou?

— Eu não, estava em cima da mesa.

— Ah, está aqui.

A moeda desapareceu por alguns segundos e reapareceu, a maldição estava fazendo efeito.

Eu notei um dos humanos ir até o espelho do banheiro, mirou sua imagem e gritou:

— Meu rosto, está cheio de feridas, cara, meu braço, meu corpo todo está caindo aos pedaços.

O outro humano começou a rir de nervoso.

— Cara, você está vendo coisas, sua pele está normal, não tem nada aí.

O humano sentia a lepra consumir sua pele, apodrecer seus membros, exalar um forte cheiro de carniça, mas somente ele conseguia ver a maldição em si mesmo, era invisível para qualquer outra pessoa.

Seu peito explodiu em um grito, saltou por sobre o pequeno muro da pousada e tudo acelerou de repente, o impacto do corpo no cimento pesou toneladas, como se tivesse caído de um avião ou do alto de um prédio, as pernas se dobraram para trás, os braços eram gravetos tingidos de branco e vermelho, o crânio era um quebra-cabeças de dez mil peças, se abriu como uma fruta madura, o líquido vermelho escorreu até o ralo, um lago carmim esticava-se por sobre o cinza do cimento, o silêncio colocou o último segundo naquela linha de tempo.

— Cara, o que você fez?

O amigo coloca a mão sobre a cabeça, abre a boca como se fosse engolir algo, arregala os olhos, bate os pés no chão, chora em desespero, grita, geme, pula.

Uma força energética intensa o puxa para junto do corpo esticado lá embaixo.

Sob o céu avermelhado, toda a textura do tempo se alterou, eu desapareço por outras tantas dimensões, tenho alguns lapsos, sinto vibrações de eternidades monstruosas.·.

Quando reapareço no quarto percebo que a moeda não está mais lá.

Fecho os olhos, vibro em consonância com o centro da terra, observo o humano entrando em um veículo da cor do céu, a moeda brilha em seu bolso.

Quando me afasto para muito longe da casa pirâmide minhas forças se esvaem, o tecido da realidade se fortalece, meus reflexos são mais lentos, a materialização se torna mais custosa.

O humano dirige em alta velocidade, os dentes cerrados, os olhos saltados, as veias levantadas.

O carro desce a avenida, desgovernado, ele ajeita os retrovisores, a respiração se desconstrói, um hálito frio entra pelas janelas, tudo se move ao desespero.

Sopro ordens ao destino pela milésima vez, ele ignora e sacode os ombros.

A velocidade aumenta, ele faz um sinal apagado para um rapaz da calçada, que ignora e continua rindo e conversando com a garota ao lado, ela também ri com os olhos injetados de medo.

O carro avança pelo sinal vermelho e por uma migalha não se espatifa com um ônibus cruzando a rua, ele aperta as mãos ao volante e mantém a cabeça ereta, seus ouvidos estão em uma frequência dilatada, vozes estranhas invadem cada poro do seu corpo, inclina-se em direção à janela e vomita na rua, o vento traz quase tudo de volta, o cheiro azedo, a cor de anteontem sobrevoa o banco da frente e estaciona por todo o assoalho, a rua passa por baixo do carro como uma esteira, ele sente suas mãos tremerem e o suor deslizar pela face, o gosto salgado escorre pelos lábios, enxerga apenas o horizonte distante, cada vez mais próximo e colado ao seu rosto.

O gosto de cerveja na boca, o cheiro de morte, as mãos grudam no volante até seus dedos ficarem marcados, a cortina de medo e fumaça se dissipa no ar, tudo é desespero, um desacerto cintilante.

O carro acelera ainda mais, toda a distância se comprime, se aperta, é pólvora perto do fogo.

Ele apenas escuta, acena e tapa os ouvidos.

Os pneus agora são manchas negras no asfalto, a buzina, os faróis, o relógio que se antecipa ao grito.

O veículo se amassa, a lanterna dianteira despeja estilhaços no ar, a lataria se enverga, o volante esmaga o peito, a cabeça se espatifa, os pedacinhos de vidro e gotas de sangue dançam no ar, o pescoço se contorce, se desloca, assume uma posição impossível, a febre invisível o toma por completo.

Ouve o sussurro do tempo se acabando, as pernas ficam presas até se partirem, um pedaço do carro atinge seu rosto, atravessa, a dor é apenas imaginada alguns segundos antes de destruir tudo, como raio e trovão, o carro afinal para.

O tempo segura a respiração.

Vê, pelo retrovisor, pela última vez seu sorriso se fechando, na língua o sabor frio do pesadelo.

Os batimentos desaceleram, a visão fica embaçada, o último pensamento é cortado pela metade.

Eu apareço a alguns metros dos destroços.

Outro carro estaciona para socorrê-lo, a mulher desce respirando apressada, tapa a boca com as mãos, fica paralisada por alguns segundos até que vê um brilho no chão, é a moeda, ela olha para os lados, se agacha e a toma nas mãos, sorri e volta para o veículo.

— Esse vestido Gucci, quanto custa? Essa bolsa Prada, quanto é?

Ela sai da loja, entra no carro, estou fraco, bem longe da casa pirâmide, a energia represada está débil, cansada.

— Alô, amiga, hoje vamos jantar no restaurante mais caro da cidade, eu pago.

champagne mais cara, escargot.

O garçom sorri com a gorjeta.

A moeda estará de novo na bolsa dela, em alguns minutos.

Saem do lugar em uma limousine e vão para a casa noturna mais badalada da cidade.

Eu acompanho, me materializo com um sinal de frequência bem fraca, a vibração que ocorre é lenta e rabiscada com ruídos.

— Vamos nos esbaldar, amiga, tudo do bom e do melhor, camarote vip, champagne a noite toda.

A música frenética hipnotiza a todos ali, meus ouvidos doem, a cada passo distante da casa pirâmide todos os meus sentidos se enfraquecem, os fios invisíveis que me ligam ao mundo se esticam, a energia se esvai, a vibração vai se tornando mais próxima dos corpos terrenos mortais.

Tem de ser agora, com o mínimo de vibração e energia canalizada que consigo, envolto em um lapso proposital, sussurro a maldição por entre os lábios, flutuo por um instante e fecho os olhos, estou fraco, quase desapareço.

— Vamos pedir mais champagne e conseguir um pouco de cocaína.

A bandeja de prata chega abastecida com a melhor droga, o champagne mais caro, os sofás de veludo acariciam as costas das duas mulheres, o espelho difunde uma imagem de glória, desejo, sedução, tudo amarrado ao ínfimo segundo de vida humana, terrena e mortal.

As luzes piscam aceleradas, o pó é sorvido pelas narinas dilatadas, percorre as vias respiratórias, revira o organismo, derrete cada parte interna, o sangue jorra derramando-se pela bandeja de prata, todos os órgãos se liquefazem, as duas mulheres não tem tempo de gritar ou se desesperar, seus corpos parecem não possuir ossos, são elásticos, de borracha fina, se dobram, perdem a cor, o sangue ainda escorre, uma fonte inesgotável, tingindo o tapete branco, os pedaços de órgãos apodrecidos também escapam pela cavidade nasal, se espalham pelos sofás brancos, pelo tapete, por tudo ao redor.

Começo a levitar, a força que estava quieta, a energia que estava adormecida entra em erupção, meus lábios tremem, a vibração se insinua pelos meus poros, os fios invisíveis se retesam, a casa pirâmide parece estar próxima, a energia se acumula, minha imagem vibra acelerada, o lapso será intenso, deito minha cabeça para trás e de meus lábios saltam maldições, não há controle, não é o que quero fazer, as maldições se despejam iluminadas, tomam conta da dimensão, possuem cada corpo da pista de dança, cada ser humano que está ali dentro, a energia canalizada vai escalando, tomando proporções gigantescas.

Abro os olhos e percebo que, no alto da pista, uma pirâmide de quartzito que serve como decoração está absorvendo toda a luz direcionada a ela, brilha intensamente, a luz que ela canaliza retorna para mim cem vezes mais forte, estou no auge da minha capacidade etérea, nesse momento estou em várias dimensões ao mesmo tempo.

Vejo Ondinas, Salamandras, outros Gnomos, Silfos, eles cruzam as dimensões, eu sou um portal agora.

Cada humano que está dentro da casa noturna começa a se desintegrar, as narinas parecem irrigadores de jardim, despejam litros de sangue, os corpos se empilham, derretidos, elásticos, emborrachados, a pele fina como papel, não dá tempo de gritar, o cheiro de sangue e órgãos apodrecidos forma uma camada de névoa por sobre os cadáveres, o chão se transforma em uma imensa piscina vermelha, eu flutuo a dois metros de todo aquele sangue represado, iluminado, recebendo toda a energia da pirâmide no centro do salão, quando já nenhuma alma possui morada, a moeda é sugada até as minhas pequenas mãos, a maldição fez com que o fio invisível trouxesse a moeda de volta para mim, dei um gole na garrafa de seiva alcoólica e soltei uma risada.

Uma luz intensa se apossou de tudo e um lapso me tomou pelas mãos.

Estava de novo diante da grande árvore.

— É chegada a hora de se decidir — disse uma voz de trovão que estremeceu todos os galhos da árvore.

— Já não resta muito tempo para ti, vê-se que não és um Elemental que se tornará um anjo de luz, está mais para um demônio, um anjo que serve outras forças.

Tentei retrucar, como podia prever o que aconteceu? Como posso ascender se estou preso à minha natureza, se fui criado para obedecer ao que não entendo, se me falta livre arbítrio? Meus lábios estavam colados, não podia dizer nada, minha própria consciência, que eu achava que tinha, era algo que eu não tinha controle, eu era uma marionete, uma energia de éter mal calculada, sordidamente manipulada.

— Serás um demônio, toda a dor dos leprosos, todos os gritos de dor de tempos imemoriais alimentarão tua força, a casa da pirâmide não será mais tua morada, serás guardião da gruta mais escura, da garganta de teu senhor, ligada ao mais profundo da terra.

Meus ombros começaram a se esticar, eu possuía menos de trinta centímetros, fui me alongando, a coloração da minha pele foi se alterando, asas enormes brotaram das minhas costas, chifres retorcidos surgiram em minha testa, o formato cônico deu lugar a um crânio alongado, em segundos eu era um demônio.

Senti uma vibração intensa surgir do centro da terra, toda a luz, antes amarelada e quente, agora era negra e fria, os fios invisíveis eram agora da cor do sangue, a energia era mais forte, mais extensa, eu podia não só flutuar, como voar, abrir as longas asas pontiagudas e voar, uma longa cauda também adornava meu corpo, uma pelugem fina e avermelhada o recobria, o sangue fervia pelas veias, a temperatura interna era muito alta, era uma febre violenta.

A gigantesca árvore foi se afastando, tudo se quebrou como um espelho, a dimensão se estilhaçou e se reconstituiu de novo em formato de gruta escura.

O cheiro úmido e forte de enxofre invadiu meus olhos, a gruta era um caleidoscópio de reentrâncias, um labirinto extenso, talvez um portal para outro país, como a gruta que levava à Machu Pichu.

Sentei em uma pedra molhada, ainda me acostumando com o novo corpo, meus pulmões devoravam o oxigênio e ardiam.

As orelhas pontiagudas ouviram um ruído:

— É aqui, essa é a gruta.

— Parece estreita e úmida, será que dá pra explorar?

— Claro que dá, eu sei o que estou fazendo, porra, me dá mais uma cerveja.

As vozes caminhavam no ar até mim, eram humanos e se aproximavam, não deveria encontrar nenhum humano, não agora, todo o organismo mutilado e interligado entre espaços dimensionais se reconfigurava, ser um demônio aos poucos estava sendo assimilado pelas minhas entranhas.

— Ilumina direito ou me dá a lanterna, porra, não dá pra enxergar nada, tá tudo alagado.

— Você tá bêbado, cara, não é uma boa ideia explorar um lugar desses bêbado.

— Já disse que sei o que estou fazendo, porra.

Ouço os passos mortais carimbando as pedras molhadas, o eco das vozes reverbera por toda a gruta, estilhaçando o silêncio.

— Cara, acho que já entramos demais, a água está subindo, vamos voltar.

— Agora? Porra, vamos entrar mais um pouco, se quiser volte sozinho

— Ok então, vou voltar.

— Bundão.

O barulho de água sendo revirada estava próximo.

A luz da lanterna projetava fantasmas na parede de pedra.

— Porra, essa gruta não tem fim, Não falha agora, lanterna, cacete.

O vagalume fantasmagórico revolvia meus olhos, eu podia enxergar no escuro, a luz me causava vibrações desarmônicas, uma leve vertigem.

O humano escorregou, mergulhou metade do corpo na água represada, a luz da lanterna se afogou.

Como um inseto preso em uma teia, ele lutava para escapar dali, seu corpo não tinha mais nenhuma coordenação.

Ao se debater, sua cabeça se chocou com uma pedra, o impacto soou como um terremoto, ele desmaiou, iria se afogar.

Abracei seu corpo com os meus longos braços, os dedos com garras compridas contornaram seu corpo, abri as asas, fiz um voo curto e em segundos cheguei até a entrada da gruta.

Observei por um instante o outro humano falar ao telefone, ao perceber sua distração aninhei seu amigo em uma moita na entrada da gruta.

A luz do Sol me enfraquecia, o éter se evaporava, meu corpo adquiria uma densidade elevada, quase desabei ao chão, as asas tremiam como folhas, então retornei ao âmago da gruta, para a escuridão.

— O que aconteceu? Acorda, porra, o que aconteceu? Não vou fazer respiração boca a boca de jeito nenhum... Tá bom, tá bom, acorda, porra, que gosto nojento... Que marcas são essas? São garras? Cara, que coisa mais estranha, quem te trouxe para a saída, acorda, porra, vou te estapear.

— O que foi? Hã... o que aconteceu?

— Cara, o que aconteceu?

— Não sei, cara, apenas senti algo agarrando meu corpo, como um pássaro gigante ou algo assim, senti meu corpo leve e a luz voltando, acho que estava sonhando.

— Vamos sair daqui, vamos voltar para casa.

Eu não podia mais me afastar dessa gruta, a materialização, a velocidade de locomoção, tudo foi esvaziado, como se o corpo mágico sofresse um corte profundo e dessa ferida escorresse todo o antigo poder.

Estava preso em uma cela cósmica, trancafiado na esquina do planeta, um lugar úmido e vazio, sem ouvir nada, a não ser meus próprios pensamentos se devorando, reverberando, derrotados, pelas paredes de pedra.

Agora era imortal, não tinha mais a possibilidade de me desintegrar, voltar ao elemento ao qual pertencia, ser uno com a natureza no ato final.

Agora eu era uma criatura que atravessaria séculos e mais séculos, um abismo sem olhos encarando o espelho vazio.

— Acorda, você está tendo pesadelos.

— Que foi, amor?

— Depois que você voltou da viagem você tem pesadelos todos os dias, não dá pra dormir ouvindo seus gritos, impossível.

— Não sei o que acontece, sinto as garras da grande ave, sinto meu corpo sendo agarrado e levantar voo, vejo grandes asas e uma energia estranha apossando meu corpo, sinto que meu espírito viaja por outras dimensões, algo conversa comigo, diz que eu preciso escrever sobre isso, que devo contar essa história.

--------

No fundo da gruta ouvi tambores repicando, uma névoa espessa serpenteava envolta em murmúrios e conversações:

— Meu nome é Jandira, sinto seus olhos dormentes, meu filho, o que aconteceu?

Ouvi o humano que eu salvei relatando toda a história e contando os sonhos repetidos.

— Quando isso se deu, filho?

— Há duas semanas.

A velha arregalou os olhos, sussurrou algo , tremeu os lábios, jogou a cabeça para trás e assumiu um ar sério, como se adquirisse outra personalidade.

Despertei em um salto, dentro do corpo da mulher.

— Fui eu que te salvei.

Assustei-me com minha voz gutural, rouca, tremida.

— Quem é você? — o humano perguntou.

Não pude responder, não consegui, titubeei.

A velha revirava os olhos, suava e tremia.

— Quem é você? Por que me salvou?

O humano começava a esticar o corpo para a frente, bater os pés no chão, mexer os dedos, encarar a velha com os olhos arregalados e a perguntar cada vez mais alto.

— Quem é você, me diz. Porque os sonhos? Porque essa vontade incontrolável de contar essa história?

Nós dois não sabíamos, nós dois não tínhamos livre arbítrio, nós dois estávamos encurralados e mortos por dentro.

— Sou um anjo.

Ainda pude sentir meu corpo etéreo ser sacudido, até a velha despertar e minha consciência acordar de novo no fundo da gruta.

Os lamentos, os gritos, as dores, o sofrimento de séculos, as feridas, as chagas, o sangue escorrendo, as chibatadas, a febre, o cheiro das feridas dos leprosos, o choro da família, a solidão, o isolamento, tudo isso me alimentava.

Eu também estava isolado, não podia estar junto da humanidade, teria de estar confinado àquela gruta úmida, meus olhos sangravam, minhas mãos abertas se encontravam com meu peito, abri as asas, levantei um voo breve e gritei alto, me debati, abaixei a cabeça e fui de encontro às pedras da gruta, destrocei meus chifres retorcidos, não havia dor, não havia ferimentos, não havia nenhum meio de me destruir, estava condenado à eternidade.

— Onde está meu pai, onde está meu pai?

As lágrimas de sangue escorrem pela pele vermelha escura.

Por onde cada fantasma, de cada reino, de cada dimensão estivesse, o tecido sobrenatural se enrugava espalhando imortalidade.

Ainda não há pai. 
Ainda não há ontem nem amanhã.

As paredes de pedra da gruta começam a tremer, meu corpo pulsa com uma energia descomunal, a energia que emana do centro da terra invade meu corpo etéreo, os fios invisíveis se tornam mais grossos, desperto em cima de um grande salão, olhos para as pessoas, sinto seus olhos, suas peles, sinto seus rostos, o cheiro perfumado de seus sangues, sinto a textura de suas roupas, o murmúrio de suas preces, sinto a energia se dissipar, se fortalecer, sinto minhas asas se abrirem, no alto desse templo me materializo.

Uma luz intensa, que quase cega os presentes, inunda tudo, enxergo todas as cabeças baixas, se curvando, mexendo os lábios exaltadas, tremendo, gloriosas.

— Rendam glórias àquele que me salvou, ao anjo que me trouxe à vida, àquele que sussurrou em meus ouvidos todo o ensinamento que entrego aos seus espíritos sedentos.

Olhei em sua direção e pude notar um imenso campo magnético ao redor de seu corpo, uma aura energizada amarelada, seu corpo devia pesar uma tonelada agora, ele levantava os braços, saltava, murmurava, revirava os olhos.

Observo cada humano, as palmas da mão voltadas para mim, percebo cada soluço, cada peito se erguendo, cada minúscula respiração.

Vou subindo, cada vez mais iluminado, mais forte e energizado, minhas asas se abrem cada vez mais, os fios invisíveis agora são cordas grossas, a energia do centro da terra é imensa, quente, atômica.

Abro os braços e naquele instante todas as pessoas desmaiam, o impacto com que caem ao chão é um baque profundo, todas as almas de desprendem do corpo, vejo cada uma delas se movendo em minha direção, entrando em meu corpo etéreo, me fortalecendo, apenas o humano que eu salvei ainda estava de pé, com as mãos levantadas, em êxtase.

— Glória a ti, meu pai.


Van Helsing e o grande pássaro negro

 As botas pesadas esmagavam o chão infestado de barro e neve, o grosso tecido da calça tornava o caminhar uma investida em longo prazo.

Uma baforada no cigarro.

A luva preta engessava o cabelo que teimava em esvoaçar.

O rangido da porta fez com que todos os olhos se voltassem para ele, o tempo segurava a respiração por alguns segundos, o ar pesava algumas toneladas.

— Preciso de algo para esquentar o peito — ele golpeia as palavras no ar.

O atendente do bar desliza um copo cheio do melhor uísque, dá pra ouvir um inseto atingindo a lâmpada em pequenos intervalos, a luz fraca se deita por todo o bar, estacionando nas abas dos chapéus, em um silêncio sepulcral.

— Forasteiro?— o atendente cospe para o lado sem dirigir o olhar.

— Soube que essa semana morreram duas crianças do povoado.

— Jornalista?— o velhote de avental cerrou os dentes e enfim encarou.

— Sou um amigo.

— Não meu, posso dizer.

Van Helsing tamborila o copo ainda cheio, passa pela jukebox, coloca uma ficha, caminha até uma mesa, puxa uma cadeira e descansa o corpo dolorido por alguns segundos.

Mr. Sandman, bring me a dream

Make him the cutest that I've ever seen 

Give him two lips like roses and clover

-------------------------------------------------------------

— Essa é a árvore — o garoto sussurra com o sorriso iluminado.

— Aquela que sonhou por tanto tempo? — a irmã também sorri.

— Sim, a famosa árvore do sonho.

Em cada galho da árvore havia um pássaro negro, imóvel, naquele momento o céu se encheu de vermelho, uma enorme ave escura como carvão e tão alta quanto um homem agarrou o menino pelos cabelos, a primeira bicada cegou um dos olhos, o líquido negro que escorria pelas órbitas tingiu as lágrimas de dor, mais uma bicada, as garras afiadas penetraram a pele macia e alva da criança, sua irmã mal conseguia gritar, quando tentou fugir o pássaro voou de encontro a ela e rachou seu crânio como se tentasse abrir uma castanha, todos os pássaros negros que estavam nas árvores se puseram a crocitar uma canção aterradora, os gritos abafados das crianças foram se tornando menos audíveis, até se encerrarem por completo.

No dia seguinte, em meio aos olhos vermelhos e frases desconexas, os pais faziam sinal da cruz e choravam aos gritos assim que receberam a notícia.

De longe, Van Helsing observava, calado, anotando algo em seu pequeno bloco de papel.

A noite encobriu tudo com ventos gelados, do quarto da pousada dava para avistar a floresta negra, o sono se assentava corpulento sobre os ombros do caçador, ele fechou a janela e cerrou os olhos.

No meio da noite sentiu o ar gelado invadindo o quarto, abriu os olhos e viu a janela escancarada e um vulto alçar voo pela escuridão, contornou com os dedos o punhal consagrado e o livro mágico, expirou com força e voltou a dormir.

— O mesmo uísque de sempre, senhor...

— Van Helsing.

Os olhares o seguiam feito animais ariscos.

— O filho de Seu Antônio foi encontrado devorado na floresta, parece que algum animal selvagem está atacando o povoado, pelos cortes das garras e feridas de bicos cortantes, parece uma grande ave de rapina.

Ao sair pela porta do bar ele ouviu um crocitar agudo, sentiu a sombra de uma enorme ave dançar sobre ele, engatilhou o olhar o mais rápido que pode e nada viu.

— O filho de Maria, o parvo, vivia dizendo de uma árvore mágica que só ele conhecia, os garotos zombavam dele e se riam e o empurravam.

As conversas cruzavam seus ouvidos, ele registrava tudo.

— Senhor, esse garoto...

— Josué, o filho bobo de Maria.

— Sim, onde ele dizia que ficava essa árvore mágica?

— Parece-me que o senhor é muito velho para acreditar nessas tolices.

— Diga pra ele, homem, mal não fará—disse a mulher carregando um bebê em seus braços.

— Depois da grande pedra, é difícil não perceber qual árvore é.

Ele voltou à pousada, pegou o livro de exorcismos e o punhal e caminhou até a árvore, mais uma vez a grande sombra e o crocitar agudo o acompanharam.

A árvore cresceu em frente a ele, como um abismo o encarando.

Em segundos o céu se avermelhou, os pássaros surgiram infestando os galhos, o barulho que faziam congelava o sangue nas veias.

De repente tudo se aquietou.

A sombra negra se avolumou no céu, o som ensurdecedor, dessa vez o grande pássaro negro se materializou e pousou com o peito estufado bem em frente ao caçador.

Com dois passos firmes, a ave reclina o corpo para frente e tenta acertar uma bicada, Van Helsing dá um passo para trás e aperta o punhal com os dedos rígidos.

O livro escorrega de suas mãos, a ave pula por sobre ele e o rasga com as garras cortantes, tudo fica em pedaços.

Van Helsing olha fundo nos olhos da criatura e diz:

— Nunca mais.

O pássaro se atordoa, parece sentir uma vertigem, como se sua alma sacudisse o corpo, como se seu criador soluçasse em seus ouvidos alguma palavra maldita.

— Nunca mais.

Os outros pássaros das árvores foram caindo como frutas podres, despencando no solo com um impacto que fazia tremer tudo ao redor.

As folhas foram murchando, os galhos retorcendo.

Enfim, o pássaro também caiu com as asas abertas, os olhos oscilando, soltando um gemido cru de desespero.

O punhal se enterrou em seu peito, o céu se tornou azul novamente, o sangue da ave foi sugado pela terra.

Alguns risos de crianças foram ouvidos, uma forte explosão de luz fez com que Van Helsing desmaiasse.

A manhã ensolarada mal tinha desfolhado, as botas pesadas faziam o caminho inverso, os olhos se fechavam pela incidência dos raios de Sol, o cigarro aceso, o cabelo esvoaçante, ele mexeu os lábios em silêncio:

— Nunca Mais.


Sarcasmo

Todo sangue e toda agulha, toda mágoa e um dedo de cinismo se encontram no teu olhar. Todo segredo mal guardado toda habilidade em se esconder atrás de algo e duvidar de toda mínima saudade. Prevejo tudo, no teu glóbulo ocular...teu sarcasmo disfarçado de ajuda. vejo nítidos bocejares na distância da tua atenção e me sento, com um saco de pipocas, bem na frente do teu sentimento e empurro teu álibi pra longe do teu advogado. è assim que me sinto mais mutilado e menos sábio... Tua gratidão bebada...tropeçando nas vírgulas semeadas por tua indiferença. E nada será um sonho, não enquanto eue stiver acordado e com as pálpebras acesas.

O Filho de José e Maria


Odair José é ,antes de tudo,um injustiçado,todos ouvem Roberto Carlos e se acham cult,mas falar no nome do Odair é ser automaticamente bombardeado com piadinhas e a indefectível canção "Pare de tomar a pílula" sendo cantarolada.Nascido no interior de Goiás, desde cedo se interessou por música e na adolescência formou uma dupla caipira com um amigo. Mudou-se para o Rio de Janeiro com 18 anos, onde trabalhou como cantor de boates suburbanas e circos, guitarrista de inferninhos na Lapa. No início da década de 70 começou a compor músicas baseadas no que observava na realidade dos inferninhos, bordéis e boates.Eu penso que há uma relação forte entre a música de Odair e os filmes da Boca do Lixo de são Paulo, ambos relegados à um nicho de pessoas que curtem filmes obscuros(a maioria curte também filmes de terror raros) Seu primeiro compacto, "Eu Vou Tirar Você Deste Lugar", falava de um homem apaixonado por uma prostituta, e tornou-se um de seus grandes sucessos. Logo, Odair José se transformou no maior ídolo da música brega, vendendo milhões de discos e emplacando hits como "Pare de Tomar a Pílula", (já antes citada)proibida pela censura. Em 1977 surpreendeu ao criar uma "ópera-rock", "O Filho de José e Maria", que é o disco que será comentado faixa à faixa.Um disco pra ser colocado ao lado de Sgt.Peppers, Their Satanic Magic Request, the Green Village Preservation Society e Pet Sounds.

O disco ficou conhecido como uma ópera-rock, ou também como o álbum progressivo de Odair José.

Minhas impressões(nada muito elaborado, fui escrevendo enquanto ouvia novamente)

1. Nuca mais

Nunca mais começa como uma trilha blacksploitation,uma letra que diz que ele aprendeu as coisas boas da vida, que o passado não o assusta.Um groove muito bom.


2. Não me venda grilos (por direito)

um samba grooveado,com uma letra romântica, com a sacada: "não me venda grilos, viver já pesa muitos quilos", um solo de gaita muito boa.Como disse alguém em outro blog, realmente ele tinha uma fixação por mulheres e filhos.


3. Só pra mim, pra mais ninguém

um começo singelo, a voz num reverb louco,a letra, um pedido deseperado pra "seu bem" não abrir a porta pra ninguém,na letra ele expressa o medo de ser traído,eximindo a mulher de culpa, pois o perigo está por aí, basta uma troca de olhar.


4. É assim

me lembrou Raul Seixas(não sei porquê), a letra é muito boa,o vocal é gritado por vezes,novamente um groove, a letra é meio esotérica(ou exotérica?),tem um solo de guitarra com wha-wha.


5. Fora da realidade

a mixagem da bateria é ótima(eu achei),solinhos de guitarra pontuando a música,sempre o anjo aparecendo nas músicas, e dizendo pra ele "aturar" a sua amada.uma interpretação gritada e apaixonada.Um bom solo de guitarra(esse disco tem vários solos),é um hardrockzinho.


6. O casamento

a faixa mais ópera-rock do disco, com começo no piano,com sinos e sonorizações,"quem são essas pessoas sacristão?", uma atuação magnífica,a letra começa como um diálogo entre ele e o vigário.Muito bom.Parece contar a história de Jesus(parece?).A música vai num crescendo,acabando com os parabéns aos noivos.


7. O filho de José e Maria

Uma ótima abertura com um piano,a letra falando sobre josé e maria(jesus?)cantada num tom melancólico, um coral muito bonito de fundo.


8. O sonho terminou

um começo psicodélico, com letra falando da humanidade de todos nós, a música é a mais "rock" do disco, com um reverb na voz,se fosse em inglês tinha gente cultuando por aí,um solinho de sintetizador, a melhor música do disco, com certeza.


9. De volta às verdadeiras origens

destaque pro baixo grooveado, a letra é a mais popular do disco, tem até uma segunda voz meio sertaneja,e uma orquestração bem disco numas partes.


10. Que loucura

é uma disco music das boas, começando com guitarra típica e bateria idem.

Trech de uma entrevista que vi no blog Trabalho Sujo, falando desse disco:

Foi quando eu fiz o disco O Filho de José e Maria e todo mundo disse que eu tinha ficado doido. Eu escrevi 24 canções que, na ordem, cada uma fala de uma fase da pessoa: a primeira é quando a pessoa nasce e vai até a última que é quando o cara morre, ou se entendeu. Disseram que era uma ópra-rock, mas eu nem sei o que é isso. A igreja não gostou, porque achavam que eu tava falando Jesus Cristo – e tem uma música que o cara fica doidão, outra que ele não sabe se é bicha ou macho. Mas esse disco não ficou nem 50% do que eu queria.Era um disco pra ser tocado em teatro, não era pra tocar num clube, pro cara ouvir enchendo a cara de cachaça, nem pra tocar numa praça, com uma mulher pendurada no pescoço. Fui trabalhar com o Guilherme Araújo, que era empresário de teatro. E vieram perguntar se eu não gostava do que eu fazia, se eu tinha vergonha de tocar a “Pílula”, que bobagem. Esse disco não foi vitorioso comercialmente, mas é um disco muito bem feito. E eu queria fazer um disco duplo, mas a Polygram não queria lançar, então fui procurar outra gravadora. Fui pra BMG mas quando cheguei lá disseram pra não fazer duplo.


De onde você tirou inspiração pra fazer um disco desses?

Duas coisas. Primeiro, o som: eu achava o máximo o som das guitarras daquela época, do pop do Joe Walsh, aquele disco ao vivo do Peter Frampton, aquela guitarra emborrachada, só ele e três caras de apoio e vendeu vinte milhões de álbuns. Então a idéia inicial era eu ter uma banda como se fosse de garagem. Eu montei essa banda, com uns amigos. Na época, eu tava muito bem de vida, tava solteiro, não tinha compromisso com nada, passava o dia na praia do Pepino sem fazer nada e pensei, “vou fazer uma banda” e fiz. A gente ensaiava lá no Vidigal. Quando eu fui gravar, o Durval Ferreira, aquele da bossa nova, começou a por defeito nos músicos: “Esses caras não tocam porra nenhuma!”. Mas a intenção era aquilo mesmo, tipo nos Rolling Stones, que aquele cara não é o melhor baterista, mas pra aquilo ali era ele mesmo!Depois, é a idéia do tema. Eu tava no Rio e fiquei chateado com uma situação e esse senhor, o Aderbal, que me levou pra falar com o Golbery, veio me perguntar o que eu tinha. Eu expliquei e perguntei o que eu podia fazer? Eu perguntei e ele saiu da mesa. Pensei: “Qualé a desse velho? Eu pergunto uma coisa pra ele e ele sai? Deve estar ficando esclerosado”. Deu uma meia hora e ele aparece com um livro na mão. “Você me perguntou uma coisa que eu não posso responder, mas esse cara pode”. E me deu O Profeta, do Kalil Gibran. Eu comprei e li tudo dele, achava o Kalil Gibran o máximo. E foi dali que eu resolvi escrever as letras do Filho de José e Maria, eu passava o dia inteiro trancado no quarto sem fazer mais nada, só tomando vinho e lendo aquilo. E aquilo virou uma bola de neve.E a partir desse disco, as pessoas começaram a fazer questionamentos sobre a minha competência pra vender discos, mas foi até legal, porque você ter a obrigação de todo disco ter de vender é uma bosta. Até porque você não consegue isso a vida inteira. E se você analisar, essa coisa de fazer sucesso, fazendo músicas direto, é um ciclo de sete anos. Pode ver, todo mundo, tem raras exceções, só aguentaram sete anos, pode reparar, Beatles mesmo: sete anos.

link pra entrevista completa:

http://www.gardenal.org/trabalhosujo/2006/08/oj_silva.html

link pra baixar o disco:

http://www.4shared.com/file/17350226/ce525262/1979_O_Filho_de_Jos_e_Maria.html

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Entrevista com o escritor Cesar Bravo, autor de Ultra Carmem


Saber mais sobre a trajetória de um escritor que começou se auto publicando até chegar à ser publicado por uma editora reconhecida e reverenciada em seu nicho, o Terror, é a função dessa entrevista, além de perguntar o que geralmente não perguntam , sobre o processo da produção textual.
Cesar topou responder algumas perguntas e saciar nossa curiosidade.
Antes, uma breve biografia do autor, escrita por L Brisa:


Cesar Bravo é um autor brasileiro nascido em 1977 que insiste em se manter fiel ao que gosta de fazer. Poucas vezes desfrutei de autores nacionais com uma atitude tão honesta e perseverante quando a dele. É autor e co-autor de contos, romances, enredos, roteiros e blogs. Cesar também brinca um pouco com o violão, mas já o aconselhei que continue escrevendo...
O conheci há quatro anos, quando li um de seus textos publicado em um jornal da cidade. Minha primeira impressão foi: “O escritor mais azedo que eu já li”, mas isso só durou até conhecer melhor seu trabalho. É inegável seu talento com as palavras e a quantidade de emoção que é capaz de evocar em seus leitores. Também é impressionante como já disse, sua perseverança em defender gêneros espinhosos como o suspense e o terror aos quais se dedica mais fortemente.
Confesso que fiquei surpreso quanto fui convidado para falar um pouco de seu trabalho (somos praticamente concorrentes), mas também me senti honrado. Anotem esse nome, senhores. Cesar Bravo ainda vai dar muito mais o que falar no cenário literário nacional viciado e insosso que temos hoje. Já confirmou seu nome em mais de oito volumes de coletâneas com outros autores, a maioria pela editora Multifoco Sul e Rio. Também tem seus Romances e outras obras vendidas pela Amazon.com.
Leiam esse escritor antes de ignorá-lo ou trocá-lo (como ele mesmo diz) por “qualquer gringo cheio da nota e sem escrúpulos na caneta”



Bem, a primeira pergunta diz respeito a trajetória na escrita, como surgiu o interesse por escrever e como foi até chegar a ser publicado pela DarkSide?
O interesse pela escrita surgiu muito cedo, inicialmente em tom pessoal, eu costumava desabafar minhas frustrações e anseios no papel. Também desenvolvi o mau hábito de rasgar esses materiais, o que me causa arrependimento até hoje.
Comecei a tratar a escrita com a seriedade que ela merece bem tarde, por volta dos trinta anos. Até então eu não tinha segurança para expor meus textos, me faltava bagagem e um pouco de ousadia. Em 2013 expus meus primeiros trabalhos, em grupos de escrita, blogs e, sequencialmente, na Amazon. Também procurei parceiros que poderiam endossar meu trabalho, foram essas pessoas que me colocaram em evidência e me ajudaram a vender os livros publicados em e-book.
Sobre a DarkSide, sempre tive interesse em publicar meus livros com eles. Difícil? Sem dúvida, mas eu não gosto de me colocar barreiras. Enviei materiais, continuei compondo minhas coletâneas e romances, consegui mais parceiros para me fortalecer na rede. Em 2015 recebi uma ligação da DarkSide, nos reunimos e fechamos um primeiro livro. Posso dizer que estou muito feliz com a parceria. Estou em excelentes mãos.

Nós temos um grupo onde é quase um tubo de ensaio, nos reunimos para estudar estrutura e linguagem, fluidez, diálogos, o micro. Eu desconhecia completamente a estrutura. E estou aprendendo com um pessoal mais jovem exatamente sobre isso. Há uma polaridade que percebi ser bem evidente entre escritores com uma formação de Letras, mais fundamentados na linguagem, linguística, tudo relacionado a língua em si, mas que desconhece fundamentos de roteiro e por vezes desprezam esse conhecimento da estrutura, como se isso fosse prejudicar a pureza da escrita, deturpar a integridade artística. O que pensa sobre isso?
Penso que toda ferramenta é útil. Um conhecimento da língua é fundamental, afinal, estamos falando de escritores. É impraticável enviar um texto com erros esdrúxulos a uma editora, é preciso um mínimo de conhecimento para, pelo menos, passar pelo crivo inicial dos editores. O problema que vejo está no abuso da língua, no uso de “palavras e expressões mortas” ou que exigem um dicionário para a compreensão — isso pode tornar um texto enfadonho, lento e chato.
Sobre a estrutura, existem várias fórmulas, inúmeras dicas sobre como compor o texto. O mais importante para mim é adequar forma e conteúdo. O escritor deve conhecer a estrutura básica de um conto ou romance quando se propõe a escrevê-los. Veja bem, conhecer não significa ficar preso, e sim, saber o que estamos fazendo. Não gosto muito de seguir fórmulas rígidas, o que tento fazer é usar essas fórmulas quando preciso, quando elas, de alguma maneira, tornam meu texto mais interessante.
Sobre os roteiros, também existem regras, nós não podemos simplesmente jogar nossas ideias com a formatação que bem entendemos se quisermos ter alguma chance de publicação. No caso dos roteiros novamente, o mercado exige um padrão, é preciso segui-lo ou pelo menos se aproximar dele.
A fluidez vem com a prática, com o dia a dia. É como falar, se você não tivesse praticado, não seria capaz de colocar as palavras de uma maneira que fosse compreendido. Sobre os diálogos, a principal ferramenta é a observação. Para compor diálogos críveis, é preciso ouvir as pessoas. Outro ponto sobre os diálogos é a pontuação correta. Eu canso de ler materiais que usam travessões e aspas de maneira errada. Como disse anteriormente, o escritor precisa dominar as ferramentas básicas da língua.

A literatura de gênero sempre foi marginalizada, desde os pulps, giallos e sc-fis ditas literaturas menores em relação a grande literatura, universal, eterna houve poucos casos onde se cruzaram hoje ainda é visto assim na tua opinião?
Creio que são públicos diferentes, e cada lado escolhe seus autores. O que me fere um pouco é a flagelação consciente dessa ou daquela vertente. Muitos críticos torcem o nariz para a modernidade, envenenam os jornais, eles ainda estão enraizados em um mundo que, apesar de magnífico para muitos, tem a necessidade de evoluir. Vivemos na era da informação, tudo é muito rápido, ninguém tem tempo a perder. As pessoas querem compreender e ser compreendidas, textos considerados “Grandes e Eternos” podem irritar a nova geração de leitores, ainda que leitores de longa data saibam apreciá-la. Não gosto dessa polarização, ela sempre gera agressão, o mercado brasileiro tem espaço para todos os tipos de escritores. Eu leio Machado de Assis e não abro mão de Stephen King, gosto de Graciliano Ramos e amo Bukowski; tenho muitos livros do Paulo Coelho em minha estante, é por aí...

Como fazer um livro comercial e ainda ter em vista uma boa construção de personagens e temas relevantes? Ou é entretenimento mesmo e basta divertir e vender?
Veja bem, um livro com bons personagens e temas relevantes será comercial de qualquer jeito, ele venderá se for bom e tiver a publicidade bem feita. O que fica um pouco complicado são livros mal escritos, mal editados, que pecam em trama, personagens e em todo o resto, esses exemplos nem o melhor publicitário do mundo conseguirá salvar. Eles vão encalhar, não por que não são “comerciais” ou “ficcionais” ou “modinha”, mas porque são ruins.

Alguns autores publicam livros com erros crassos de português, por grandes editoras, muitas passagens do livro poderiam ser melhoradas com um bom editor, pra você qual o papel do editor hoje em dia, ainda existem bons editores?
Existem editores fantásticos. Eu tive a sorte de conhecer alguns.
O problema com a versão final do livro muitas vezes não está centralizado em uma só pessoa. Algumas editoras contam com até quatro profissionais trabalhando em um mesmo texto, além do autor. Mudanças são sugeridas e executadas, o material troca de mãos muitas vezes, creio que seja natural que um ou outro errinho escape na impressão do livro. Quem já revisou um texto longo sabe como é complicado, chega um ponto em que nossos olhos simplesmente não reconhecem alguns erros.
O papel do editor é explorar ao máximo a qualidade de um livro. O editor precisa ter essa visão sobre o que agrega ou deprecia, sobre o que evolui ou mata uma obra. E o autor por sua vez precisa ouvir esses profissionais. Como Stephen King citou algumas vezes, “Escrever é humano, editar é divino”. Em minha opinião, o editor também tem um papel fundamental na evolução do autor. Isso inclui posicionamento na rede, network, descoberta de novos parceiros e projetos, o bom editor é aquele profissional que atua conjuntamente com seus autores.

Esse processo de aprendizado de estrutura, como se deu para você? É mais intuitivo ou apenas começa um livro com todo o planejamento? Isso se deu logo quando começou?
Aprendi os fundamentos traduzindo material técnico, pois não encontrava quase nada por aqui. Existem bons livros com essa finalidade, aconselho a todos que aprendam tanto quanto for possível.
Já escrevi de várias formas, mas ainda é um processo muito intuitivo para mim. Não costumo planejar, quase nunca sei como vai terminar, todo o processo de reestruturação, quando necessário, é realizado na segunda ou terceira leitura/reescrita. Ficar preso a fórmulas ou planejamentos rígidos de cenas/capítulos em um primeiro rascunho tem um efeito muito negativo sobre o meu trabalho.


A construção dos diálogos, como se dá em sua escrita?
Eu reproduzo o que ouço; tento encaixar minhas experiências com o tipo de personagem que eu idealizei. Alguém que vende peixes em uma feira de Minas Gerais tem a fala muito diferente de um diplomata de Brasília, é preciso ouvir essas pessoas e tentar ser o mais fiel possível à realidade, é o que eu faço.

Quais suas influências?
Poe, Lovecraft, King, Clive Barker e Bukowski.

Ainda há espaço para escritores que criam literatura de gênero no Brasil?
Há muito espaço. O problema está na qualidade dos textos. Os editores recebem enxurradas de material, mas pouquíssimos passam para uma segunda avaliação. O pessoal que realmente possui qualidade de escrita acaba sendo publicado, é questão de tempo. Outro problema seríssimo é a originalidade, muitos escritores tem o mau hábito de copiar autores consagrados, muitas vezes sem perceber e algumas vezes descaradamente. O mercado busca originalidade, sempre.

O escritor recluso, como Salinger, ainda consegue sobreviver nos dias atuais, como é teu contato com leitores nas redes sociais?
Acho que não. Hoje existe uma turbulência de autores, todos buscando seu espaço, usando suas redes sociais para promoverem seus trabalhos. Dificilmente eu teria sido publicado sem a ajuda dos meus parceiros e seguidores. Mesmo as editoras, elas buscam segurança em suas publicações. Muitas vezes um número considerável de seguidores e o correto posicionamento do autor na rede faz toda diferença.
Mantenho um contato muito próximo nas redes sociais, sempre estou disponível. Recebo fotos, resenhas, elogios e críticas, todos são respondidos.

Mais uma pergunta: livro físico versus e-book, prós e contras, sua visibilidade mudou quando foi publicado por uma editora?
Leio nos dois formatos, por praticidade leio mais e-books.
O livro físico, por outro lado, gera encantamento, é um produto com uma alta dose de apreço e, eu diria, romantismo. Temos o cheiro, o toque, a capa que muitas vezes é o fator de decisão na compra; livro ainda é produto de consumo. O grande mérito dos ebooks é sua praticidade e a facilidade de publicação. O grande problema é que nenhum autor brasileiro consegue sobreviver com o rendimento dos livros eletrônicos, e a pirataria tira o que pouco que sobra. O livro físico oferece uma possibilidade muito melhor nesse sentido.
Minha visibilidade aumentou muito, muito mesmo. E continua aumentando. Com o livro nas principais livrarias, o autor é mais visto e mais respeitado, é uma mudança drástica e muito positiva.



Pessoas que aportaram por aqui: