domingo, 20 de fevereiro de 2011

Contículos

Ela previu que naquele exato segundo haveria uma suave intenção que destilaria, por cada centímetro do quarto, um sentimento frio de desilusão.
Respirou fundo e caminhou distraidamente em direção à ele, baixou os olhos e assoviou calmamente uma canção dos Stones...retirou do bolso um punhado de sentimentos ,
disparou acidentalmente meia dúzia deles no rosto estúpido daquele estranho...moveu os lábios entoando um mantra ...o beijou no rosto...calmamente enterrou o punhal em seu estômago...
girou lá dentro em um ritmo acelerado, quando ele desmaiou frio no carpete encardido da sala ela beijou sua testa...levantou calmamente e continuou a assoviar Stones...caminhou em passos flutuantes
para fora da sala...abriu suas asas e sumiu na noite escura...ainda se ouvia o assovio...e seu rosto cintilando na retina...

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Para alguém

Eu olhei distraidamente para tua alma
Uma alma antiga ,incrustrada em olhos vivos
e daí por diante teu medo, sei lá de que, derramou-se por sobre a mesa
e eu ouvia a música, sem notar que eu poderia ter vivido algo
Eu poderia, mesmo sem controlar nada,sem criar vínculos
Sem satisfazer meu ego ou qualquer outro tipo de vaidade inescrupulosa, ter sentido o hálito frio do destino...
Mas a saudade é curta, a sensação morna dos lábios ásperos da calma me iludem
e te olhei mais uma vez
Não sabia onde por as mãos,nem meus sonhos, e nem o troco em moedas que a vida me dava...
Puxei a cadeira, me sentei de frente pra você...
Te olhei nos olhos...te vi bem de perto e ali me vi...prepotente, arguto, audacioso...
adormeci calmamente no colo suave do Tempo
Te desejei e me possuí
te farejei e senti o odor dos meus pensamentos...
ali sepultei todos os conselhos...
e esqueci os dias
Olhei pra tua alma...
Sorri

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Noite

Em questão de segundos ela se aproveitou da distração, moveu-se lentamente para perto dos seus sonhos, roubou meia dúzia deles e fugiu sorrateiramente pela porta dos fundos...levando consigo um punhado de moedas e um maço de cigarro...
_ Espere, me devolve somente aquele, é dele que me sustento e por ele que até hoje sem sinto um pouco menos louco...
_Todos esses sonhos são meus, não te roubei nada...
_Pelo menos me devolve um cigarro e duas moedas pra eu tomar uma pinga...
Somente se ouviu um bater de asas silencioso...ela subiu de um modo meio desastrado para o céu..flutuou por alguns segundos e desapareceu.
Ele olhou pra uma poça d'água o reflexo ondulante de sua cara suja...
Andou mais um pouco e deitou na calçada...vomitando o resto de vida que tivera...do alto da noite a música aumentou de volume e cobriu o escuro de notas frias...um vento gelado varreu a noite pra debaixo do tapete do tempo...e nada restou senão a calma leve e suave do desespero...

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Poem

On this erased catwalk of colors
your face illuminates the past
I open my arms
and fondling the void
fear and another look
your hand and flick the small air
designing a sound
spreads, slowly like a dream
drunk certainty
Tripping in poetry barefoot.
this avenue without asphalt
the bus stop in life
I signal and nothing stops.

when your kiss,
serene in the pale morning,
was fired at me smiling little, I had agreed, who knows the rain cross my face, and lying grow, the silence inside me,
thinking of you.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Sombra

Tua sombra presa na gaveta
e tão cinzenta quanto a solidão
teu medo e um pouquinho de razão
desesperada na certeza bêbada de caos
e um cinzeirinho no canto da sala.

Acendo mais um.
outro gole tímido
teus olhos percorrem meu medo
e eu me sinto assim quase fumaça...
mas faça
se tiver de fazer, faça.

Ainda pretendo dormir no teu colo
te olhar de lado
te entender mesmo sem querer
e te buscar quando você se perder.

Teu segredo tão bem guardado
quase percebo
quando você grita tão alto
Que teu mundo acabou.

queria

queria ter mais tragédias pra contar
mais perseguições
traições e amores
mais erros
bebedeiras e overdoses
mais incapacidades
mutilações e surras
mas estou aqui
nítido e pálido
sem erros maiores
impoliticamente correto.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Lembranças

Amor é pedra tosca recheada de erros
Sublime e lascada
feito diamante bruto rolando a ladeira dos sonhos
e aquele olhar esguio meio com a cabeça inclinada
que você disparava
dói aqui dentro do peito
a lembrança de mil coisas desperdiçadas.
Amor, quando você tropeçava na vida
Na calçada encharcada de lembranças
e , eu ,tonto de nada
prevendo a poesia que faria quando te perdesse...
Não é quase dia agora, é chuva e rima e noite
e uma lágrima pendurada no cabide da dúvida
aqui, bem guardada no sujo leito de certezas mal dormidas.
tenho medo de beijar a cidade de noite
e ver a garoa gritando
e ainda pensar em você.
Mas assim desse jeito sou eu,vivendo
quase analítico
pouco filosófico
poesia mal-feita e quinzenal
No espaço que me deram...
E um samba na vitrola quebrada...soando desespero.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Tudo é relativo

Começo dizendo que corro o risco de parecer patético e idiota com esse post, um daqueles lunáticos paranóicos que pensam que encontraram a iluminação e que quando vão expor em palavras o insight incrível que tiveram, as palavras jorram desconexas e sem sentido.
Por esses dias ando pensando, remoendo, mastigando,ruminando teorias e pensamentos que me assolavam no período da juventude e que agora, como fantasmas, me atormentam e me seguem como sombras inquisidoras,como se me perguntassem a todo momento se eu estou seguindo aquilo a que me propus, a linha de raciocínio e de vida que jurei seguir quando me tornasse adulto . Lembro-me de quando jovem ter a exata e clara noção de ser único e especial. Raul Seixas e sua sociedade alternativa bradavam sempre:faça o que tu queres, há de ser tudo da lei, todo homem e toda mulher é uma estrela.
Enfim, sabia sermos únicos, e que aprendemos, nos construímos , escrevemos, lemos, trabalhamos , pensamos de uma maneira única e pessoal, intransferível.Assim como não existem duas digitais iguais, não existem dois seres humanos idênticos em sua complexidade.Bem, essa introdução é para dizer que :
O mundo é um caos, senhores.
Lembrem-se disso sempre. Não me olhem com essa cara de “esserapazestáloucoouestáusandodrogas”,sim sim sim, o mundo é um caos, sempre foi e sempre será. Nós,homens,tentamos organizar esse caos de um modo superficial e maníaco,10% da humanidade está trabalhando duro de modo a mascarar e enganar os outros 90% por cento, que ainda por cima defendem com unhas e dentes o direito de serem enganados. Eu não estou falando de Roswell, nem em nenhuma teoria conspiratória, nem no assassinato de Kennedy ou alienígenas vivendo entre nós. Estou dizendo que vivemos no caos . Mas e se disséssemos para todos desde a mais tenra idade que tudo é o caos? Nós precisamos,é imprecindível desde o início,empacotar, rotular, engavetar,criar metodologias,para explicar o inexplicável e educar à todos segundo esses princípios. Tudo é relativo, tudo é equilíbrio, há poucas perguntas que não podem ser respondidas com “depende”. Eu devo ser materilista ou espiritualista? Devo gostar de dinheiro e luxo ou dar valor as coisas pequenas e simples? Devo trabalhar mais e ganhar mais ou trabalhar menos e gastar menos e ter mais tempo? Devo ser rude ou educado?Bruto ou sensível? Devo estudar o máximo ou me divertir? Ser responsável ou inconsequente? Adulto ou criança? Pois bem,depende. Depende de que? Do momento. Grande resposta, ninguém passa de ano com essa resposta, ninguém arranja trabalho, nem namorada, nem consegue coisa alguma com esse tipo de resposta. Bem, pergunte ao seu professor. Ele não tem lá muito mais certeza das coisas do que você, nem o teu chefe tem lá muito mais domínio sobre as coisas do que você, mas eles estão lá pra manter a ordem, pra segurar as rédeas do caos.
E como tudo seria passado de geração para geração sem ordenar isso, sem pôr ordem no caos? Sem metodologias inventadas pra explicar o que não se pode explicar? Usemos como exemplo uma teoria organizada e regrada ,tomemos a gramática como exemplo, aí pegamos um fenômeno que se repete mais de uma vez, se isso se repete em um número considerável de vezes já se torna regra. Mas e se nos depararmos com algo que contrarie essa regra?
Joga-se na gaveta da exceção. E assim, dessa forma, cria-se todas as metodologias e somos ensinados e educados e “aprendemos” tudo. E nada tem um raciocínio muito lógico,a não ser dentro desse mundo inventado de regras e exceções.
Bem,vamos respirar um pouco.
Obviamente,se todos chegássemos a essa conclusão, o mundo tal qual conhecemos acabaria, e de um modo ou de outro estamos enredados nisso e nunca sairemos. O governo(pronto, aí é a hora que todos sorriem e dizem: è tudo culpa do governo)possui regras muito bem formuladas para nos enganar e domar o caos, mas contra o governo nada podemos fazer, certo? Temos a polícia para coibir . Mas existem regras muito mais invisíveis.O consumo desenfrado de bens, a invenção da necessidade, a moda, tudo tem que aquecer a economia , que tem que girar para que as empresas lucrem e paguem um mísero salário aos funcionários, e o governo também compactua com isso, compramos mais celulares(mesmo que não saibamos para que servem todas as funções) mais computadores e mais roupas(porque alguém disse que as nossas não estão na moda), e quem dita a moda? a Tv, a publicidade. O motor do sistema é o consumo. Seis meses após a venda tudo é descartado. Vira lixo.
E um dia o planeta acaba.
Tudo é caos,( meu texto segue o mesmo ritmo,espero que entendam como uma analogia forçada).
Nós olhamos para um lado e para o outro e não vemos resposta pra nada.(Aí obviamente um religioso vai gritar alto que a saída é Deus e a religião) Algo tão misterioso e inexplicável. Bem, misterioso e inexplicável por misterioso e inexplicável eu ficaria com o que já tenho.
Olhe com desconfiança para tudo, espie, leia, contextualize, exponha, discuta, prove, informe-se, analise, crie, viva...e quando alguém te disser que és incoerente, encare-o e diga: Tudo é relativo.

domingo, 5 de setembro de 2010

Escolhas, Motivações e a Vida

"Marketing de criação de necessidades. É o nível mais agressivo de marketing, pois é o esforço que leva a empresa a lançar um produto jamais solicitado"

Sempre tive um pé atrás em relação à literatura de auto-ajuda e à palestras de motivação.
Trabalho com vendas e ontem houve uma dessas reuniões para que uma pessoa que trabalha na matriz viesse nos motivar, dizer por qual motivo devemos vender mais,pra ganharmos mais dinheiro e conseguirmos mais coisas e que estamos perdendo tempo e somos burros por não estarmos nos esforçando pra vender. A primeira pergunta é sempre: Você tem sonhos,não tem?
É uma pergunta chave, extremamente capciosa,pois todos temos sonhos, sejam eles quais forem, mas a resposta subtendida é que temos que trabalhar mais e vender mais pra conquistar esses sonhos, como se nossos sonhos fossem sempre adquiridos através de mais dinheiro.Errado. Esse é o princípio da criação da necessidade,que está implícito no meu ramo de atividade, que são as vendas de eletroeletrônicos. Nesse ponto peço licença para introduzir, como ilustração do que digo, um trecho extraído do filme Trainspotting:

“Escolha uma vida. Escolha um emprego. Escolha uma carreira. Escolha uma família. Escolha uma merda de uma televisão grande, escolha máquinas de lavar, carros, CD players e abridores de lata elétricos. Escolha boa saúde, colesterol baixo, e plano dentário. Escolha prestações fixas para pagar. Escolha uma casa para morar. Escolha seus amigos. Escolha roupas de lazer e uma bagagem que combine. Escolha um terno feito do melhor tecido. Escolha se masturbar e pensar quem diabos você é em uma manhã de domingo. Escolha sentar no sofá assistindo programas que nada te acrescentam, game shows, estufar-se comendo um monte de porcarias. Escolha apodrecer no fim de tudo, numa casa miserável, envergonhando os pirralhos egoístas que você gerou para te substituírem. Escolha seu futuro. Escolha sua vida.

Enfim, o mundo é feito de escolhas, e porque alguém inculca em tua cabeça as escolhas que você deve fazer? Quem é que sabe o quanto você deve trabalhar, o quanto você deve comprar, teus sonhos ,tuas necessidades?
Tenta-se criar uma necessidade (sonhos), que na verdade não são sonhos, são desejos e desejos diferem de necessidades,pois comer, vestir, morar são necessidades, um carro veloz, tevês gigantes e celulares caros que não usamos nenhuma função são desejos.
E isso tudo é introduzido em nossa mente sem percebermos, em todos os níveis, não só nessa palestra “motivacional” da empresa, onde não se analisa falta de estoque, preço alto, baixa flexibilidade na margem de desconto,concorrência, mesmo sabendo que o mercado anda em baixa,e mil empecilhos factíveis,nada se analisa.
Apenas nos envolvem numa bolha, criam uma necessidade e empurram goela abaixo.
(Desculpem-me pelo caos do texto e pelas divagações,estou lembrando pouco à pouco tudo que remoí de pensamentos voltando pra casa nesses dias de vendas, leituras,filmes e conversas.)
Cada vez mais se trabalha mais pra ganhar mais dinheiro pra tentar suprir uma necessidade que não temos. Lembro de uma citação acerca do computador: “O computador foi inventado pra resolver os problemas que não tínhamos antes dele”.
E daí você faz hora extra para ganhar mais dinheiro porque tem um filho e fica mais tempo longe do teu filho porque quer dar um brinquedo de controle remoto que ele vai enjoar em dez minutos e fica afastado de casa, sem ve-lo, sem gastar teu tempo com ele, e trabalha mais pra dar “uma vida melhor” pra tua esposa e fica sem final de semana para passar com ela, e não vai ao cinema, não vai à shows, não se diverte porque precisa de dinheiro para pagar contas de necessidades que você mesmo criou, e vive em função disso pra quem sabe um dia aproveitar a vida.
Eis outro texto de outro grande filme:Clube da Luta

“Eu vejo aqui as pessoas mais fortes e inteligentes. Vejo todo esse potencial desperdiçado. A propaganda põe a gente pra correr atrás de carros e roupas. Trabalhar em empregos que odiamos para comprar merdas inúteis. Somos uma geração sem peso na história. Sem propósito ou lugar. Nós não temos uma Guerra Mundial. Nós não temos uma Grande Depressão. Nossa Guerra é a espiritual. Nossa Depressão, são nossas vidas. Fomos criados através da tv para acreditar que um dia seriamos milionários, estrelas do cinema ou astros do rock. Mas não somos. Aos poucos tomamos consciência do fato. E estamos muito, muito putos. Você não é o seu emprego. Nem quanto ganha ou quanto dinheiro tem no banco. Nem o carro que dirige. Nem o que tem dentro da sua carteira. Nem a porra do uniforme que veste. Você é a merda ambulante do Mundo que faz tudo pra chamar a atenção. Nós não somos especiais. Nós não somos uma beleza única. Nós somos da mesma matéria orgânica podre, como todo mundo. Escolha não ter uma TV grande nem baixo colesterol nem um abridor elétrico de latas nem plano de saúde e dentário e muito menos uma casa de dois andares numa rua arborizada e filhos que só tiram A+.
As coisas que você possui acabam te possuindo. Você só é realmente livre após perder tudo. Pois ai nao terá o que perder, e, enfim, encontrar-se-á livre”.

Enfim, espero ter dito de maneira clara o que estava martelando dentro de mim esses dias, pena que talvez meus amigos que trabalham comigo não tenham acesso a isso(talvez eu imprima e leve para eles)
Escolha viver.

domingo, 29 de agosto de 2010

Abaixo às convenções

Uma das melhores coisas de se tornar adulto é se livrar de certas coerções sociais que
existiam quando criança,como ser fantasiado de caipira nas festas juninas(com direito a
remendo nos fundilhos da calça,bigodinhos e sobrancelhas feitos de carvão e dentes pintados
para parecer banguela),admitam,não era divertido, e ainda existia sempre a menininha esnobe que
todos os meninos queriam que fosse o par na dança da quadrilha, o que invariavelmente não
acontecia, e ela sempre era a noivinha e sempre o menininho mais esnobe era escolhido para
noivo, enfim, esse preâmbulo todo é pra explicar que agora como adulto, (e isso é uma
condição privilegiada) me dou o direito de não fazer o que não quero, isso muitas vezes é
visto como comportamento egoísta e antisocial,Pois bem, para essas pessoas tenho somente
uma palavra: Foda-se.
É convidado para uma festa e toca funk,todos vão dançar, te chamam, você olha para um lado
e para o outro, fica tentado a dizer que não vai fazer papel de palhaço, mas todos te olham
como se você fosse o ser mais sem graça e chato e egoísta e antisocial do universo, pois
bem , diga não,você agora é adulto,anos de trabalho, independência financeira, desgastes
da vida, relacionamentos malfadados te deram o direito de dizer não,sem peso na
consciência.
Eu também me dou o direito de não gostar de coisas que todos gostam e de gostar de coisas
que são consideradas bregas,quando tinha doze anos eu era roqueiro doidão e ai de mim se admitisse gostar
de Elton John, em detrimento dos Irons Maidens e Metallicas.Hoje em dia,gostar de filmes ruins,e
filmes românticos e não ir em festas pra ficar em casa assistindo Weeds,não cumprimentar
com beijo aquela mulher feia que trabalha comigo, não conversar com visitas chatas,não
conversar com pessoas no ônibus(ainda mais quando estou ouvindo Nerdcast no I-pod)tudo isso me dá um ótima sensação.
Abaixo as convenções sociais, viva a individualidade.Diga não quando quiser e sim todas as
vezes que te der na telha,chupe sorvete no frio,dance na rua sozinho, fale o que tem de
falar para quem quer que seja,não faça o que tu não quiseres, há de ser tudo da lei.

Pessoas que aportaram por aqui: