segunda-feira, 18 de junho de 2007

Poesia antiga

Brota em mim um suicídio em formação
Sonhos e devaneios de prédios e lagos
afogamentos e envenenamentos
Brota em mim um som de trovão e tiros
Raios e gritos,
explosões e enforcamentos
Rodas em movimento sobre o sangue seco no asfalto
Brota em mim um estranho ouvir
como se as vozes saíssem de mim e para mim voltassem.
Como se os sons partissem de mim para meu encontro
Brota em mim uma dança sinistra de movimentos lentos
À meia-luz essa dança se projeta em sombras pela parede
À medida que progride, lança pequenas luzes como se fossem raios
Essa dança inibe meus instintos e obstrui a fúria interna do querer fugir
Fazendo assim meus sonhos se desintegrarem e voltarem ao útero do inconsciente que os gerou
Brota em mim uma visão de olhos fechados
Numa imaginação quase real, sobre a mesa
Uma flor sem vida e seca, de qualquer cor, ùmida em todo toque, no contato de cada dedo.
Uma flor em preto e branco, molhada de suor
Brota em mim uma percepção quase espontânea
Um sentimento, um odor, um som,um gosto, uma visão
Uma realidade completa em cada centímetro de dimensão
Ruas surgem desviando e entrando em minha alma
Estou parado, elas é que partem em minha direção, me passando a sensação de movimento
Brota em mim um sonho em decomposição
Nuvens e relógios, em lados opostos
Um encarando o outro, sem minha presença.

Poesia escrita em 01-05-1997

quinta-feira, 14 de junho de 2007

Entrevista

Fora do circuito convencional dos cinemas, os curtas-metragens independentes formam uma importante parcela do universo cinematográfico. Através deles se despontam novos talentos, novas idéias e produções dos mais variados níveis. Em uma metrópole como São Paulo não é diferente, profissionais e novatos na área se aventuram em trabalhos cada vez mais chocantes e criativos. Esse é o caso de “Fetish”, o primeiro curta-metragem de Luciano Pires. Previsto para ser lançado em Setembro, promete agradar em cheio aos aficcionados do gênero de terror.

Cinema em Cena: Este é o seu primeiro curta-metragem. Fale um pouco a respeito desse trabalho.
Luciano Pires: É um thriller com muita reverência ao passado a memória televisiva e cinematográfica sob influência suprema de Argento. Trata-se de duas amigas que se encontram num bar e decidem brincar com fetiches e não dá muito certo. Cogitei a idéia do curta através de uma conversa por MSN e pensei em escrever um conto. Escrevi, e como não tenho saco pra formatar um roteiro, enviei pra um amigo roteirizar, tudo sob minha supervisão, é claro. Feito o roteiro, procurei reunir um pessoal e lembrei de duas amigas que tinham vindo num projeto de cineclube que eu estava organizando e o Adílson, um amigo que me ajudou num primeiro projeto há algum tempo. Mas precisaríamos de duas atrizes e um ator e decidi chamar todos amadores. Na verdade, chamei quem tava na lista de amigos do orkut, e a equipe foi montada quase toda pela internet. Faltava locação, precisávamos de um bar e decidimos fazer num brechó que fosse bar também decidimos pelo “Túnel do Tempo” na vila mariana. O banheiro usado foi o da faculdade Anhembi-Morumbi, onde o Diogo estuda.

CeC: O nome é muito interessante e desperta uma curiosidade. Por que “Fetish”?
Pires: Comecei com alguns nomes que descartei por ter spoilers. Fiquei com um último que também entregava o que iria acontecer, então preferi a amplidão e todos os sentidos que essa palavra carrega e fiz um trocadilho com “she” (pronome feminino em inglês).

CeC: Como será a distribuição desse trabalho?
Pires: A princípio não pensei em distribuição. Vamos divulgar, fazer uma festa de lançamento e pensar nisso com calma. Gostaria que fosse distribuído, mas antes temos que editar o filme com calma e traçar um plano, talvez na Galeria do Rock seja uma boa alternativa.

CeC: Quais foram as maiores dificuldades para produzir o curta?
Pires: Negociar locações e tempo pra produzir e gravar. Dinheiro sempre é problema, mas soubemos resolver e gastamos relativamente pouco.

CeC: Quantas pessoas estão envolvidas na produção?
Pires: 12 pessoas diretamente envolvidas, mas tem trilha sonora, design e figurantes.

CeC: Geralmente, aqueles que produzem curtas de terror acabam caindo no estilo "Trash", você consideraria Fetish um curta"trash"?
Pires: Não, definitivamente, quero fugir disso. Gosto dos trabalhos do Petter Baiestorf e tal, mas não é o quis fazer, nem ser cerebral como os europeus. Algo entre as duas coisas.

CeC: Você acha que os curtas são mais bem recebidos pelo público do que anos atrás?
Pires: Acho que não. Hoje em dia é possível assistir curtas pela internet, mas no cinema mesmo está igual como sempre foi.

CeC: Quais serão seus próximos projetos?
Pires: Vou criar um roteiro em breve e participar como ator em algumas coisas, mas nada definido. O roteiro é sobre um grupo de colegas "cinéfilos", que acreditam ter descoberto um segredo em um filme obscuro e começam a sofrer as conseqüências disso (risos), não vou adiantar muita coisa.

Para saber mais novidades sobre o curta-metragem, participe da comunidade “Fetish” no Orkut.
http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=28780013

A simpatia de São Paulo

_Oi
_Não gosto de conversar.
_Mas eu só te cumprimentei...
_Cumprimenta outro.

Madrugada

Me beija, disse o mendigo
pega as moedas, disse a gostosa
não quero dinheiro, quero um beijo
(o cheiro de sua boca lembrava alguém que tinha acabado de lamber o cu de uma vaca).
Não.
Me beija.
Vou gritar.
Grita.
A mão suja se esticou.
Pegou as moedas.
Passou a mão na bunda dela.
Sujo.
Puta.
O silêncio da madrugada gritou no peito
uma moeda caiu
No bueiro
Ele chorou baixinho
No dia seguinte, morreu de frio
Debaixo de um toldo
Na vitrine, um anúncio do dia dos namorados.

Vingança

A faca cravada no peito
Seminú, se arrastava pelo asfalto
Lembrei da cena do Juventude transviada
mas era ali na minha frente
e não tinha a jaqueta vermelha do James Dean.
Eu tava no ponto de ônibus
Vestido amarelo.
Tua mulher te traiu?
perguntei pro morimbundo
Arrrrrgh, disse o filho da puta
Cuspiu sangue.
Tinha ouvido a história,da boca da velha lá da rua
A mulher deu a facada
de ódio
de medo
de gratidão
Morreu ali,sozinho,desconsolado
não ajudei não
que morra,
quem manda ter pau pequeno.

Morrer

Morri dois dias atrás
mas não é igual a nenhum filme

...um branco infinito.

Sonhos

Metade das pessoas que ali estavam eu nunca tinha visto
Quem é você?
Tava passando e entrei.
No meu sonho?
É, por que?
Nada, que falta de privacidade...

Poema curto

Derrubei um alfinete
Criou-se um terremoto.

Medo de Palhaço

Aquele filme dos palhaços...
It?
Não, aqueles do outro planeta...
Killer Klows from outer space?
Sei lá, não sei o nome em inglês...
Palhaços Assassinos...
é, esse mesmo.
Quequitem?
Tinha um puta medo quando era criança.
Medo de palhaço?
é, tem um monte de gente que tem.
E como é que chama?
O que?
Medo de palhaço,palhaçofobia?
sei lá
Eu gosto é do Ronald McDonalds, aquele sim.

Grite mais um pouco, depois morra

Choveu fumaça no mar do meu pensamento.
Enevoou, escondeu,transformou tudo em ardentes solidões.
E nos meus sonhos, devaneios, algo estava morto.
O eco ainda é forte e inaudível.
O pó que de mim restou.
Dançante e musical
Meus braços ainda doem um pouco
Meus ouvidos estão afinados.
Grite mais um pouco e depois morra.
Aspire o silêncio e suma de repente.
Tudo me faz lembrar que Deus está morto.
Teu suspiro gira como uma flor do Sol.
Dança, faz-se crer com palavras deitadas em vis sorrisos.
Esse odor quase musculoso me nocauteia.
Meus ouvidos dormem abertos
Ouvem tudo em frações de segundo.
O eco ainda dá giros e giros em torno de minha alma
Claro, transparente,espacial
O eco, o eco, o eco, o eco…
Grite mais um pouco e depois morra.
Tão inaudível, milhões de decibéis desperdiçados.
Bailarino sem pernas e cego
Mutilado e sorridente
Tudo me faz violento, cruel.

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