quarta-feira, 18 de novembro de 2015
Jorge,o Gnomo
Ivan acordou sonolento,coçou os olhos com as mãos,bocejou lentamente, numa pantomina engraçada.
Mal pode acreditar quando avistou um pequeno homem sentado no sofá,devia ter uns dez centímetros,estava vendo Netflix,embasbacado e absorto.
_Ei, quem é você?
_Oi?
_Quem é você?
_ Jorge,o gnomo
Ele coçou os olhos novamente, não acreditando no que via.
_Como assim um gnomo?
_Sim, eu sou um gnomo e sou músico também.
_Vai me dizer que tem uma banda de gnomos?
_Sim,tocamos música imaginária.
(Ele pensou por um instante que conhecia alguns amigos músicos que tocavam música imaginária também)
O gnomo continuou:
_Tocamos muitas músicas imaginárias com nossas guitarras semi-distorcidas,aliás,hoje tem show, obrigado por me deixar assistir Narcos, esse Wagner Moura realmente é muito bom.
O gnomo pulou pela janela rapidamente, deixando um rastro azul de fumaça.
Ele acidentalmente derrubou um pacotinho pequeno, que Ivan cheirou,pegou na mão,observou e
enrolou junto com o cigarro de maconha que sempre fumava pela manhã.
Desde aquele dia Ivan se encontra regularmente com Jorge, sempre tocam violão e assistem Netflix, estão ansiosos pela segunda temporada de Narcos.
terça-feira, 17 de novembro de 2015
O Voo
Ele espiou através da fechadura e
quase imperceptivelmente foi picado com cores vivas por
serpentes ferozes.
Um cérebro ferino,uma dúzia de pensamentos mórbidos
e um sorriso desgastado e pueril.
_ Você crê mesmo que pode flutuar por sobre a cidade e voar com essas asas de brinquedo?
Ele apenas se calou e continuou a caminhar de olhos fechados,sussurrando baixinho.
Sentou na calçada,bebeu um gole de vinho,olhou para o céu e se deitou,adormeceu.
Sonhou com flores,perfumes,sonhou com praias desertas e florestas imensas,sonhou com uma morte pacífica e indolor.
Ele espiou através de sua alma e não enxergou nada,apenas um ruído branco se dissolvendo em metáforas.
Fazia frio,fazia noite,fazia Lua,fazia solidão.
Encharcado de silêncio,ele previu,assim que notou uma mancha no céu,que de fato seu sorriso
embarcara em uma viagem sem volta.
Tentou abafar os pensamentos que borbulhavam feito água fervente.
Tentou sufocar o crescente e embrutecedor ímpeto de saltar para o abismo.
Assim,quando a avistou,de repente sorriu.
Um lúcido sorriso emprestado.
Vestiu sua alma de coragem.
E rasgou o peito, deixando seu coração saltar arrítmico.
E então ela o tomou nas mãos
E trouxe junto de si.
E o caminhar sozinho não era então tão frígido.
E a solidão em si não era tão díspar.
A madrugada tremia,frágil,quando os dois olhos se fitaram.
E cada um reconheceu seu próprio demônio tatuado na pupila alheia.
E se deram as mãos
E cantaram uma canção que ecoava pelos becos.
E toda a cidade e seus vapores abriram a cortina imaginária.
E dois pássaros antes inertes levantaram vôo.
E uma garoa fina e gelada coroou o amanhecer de suas almas.
quarta-feira, 11 de novembro de 2015
Morte casual
Duas horas da tarde, um calor sisudo
Ele nem olha pra trás, cabelo suado,músculos retesados
e a um palmo de ser morto.
Agacha repentinamente e pega a nota de dois reais
que descansava por sobre o asfalto quente.
Quem sabe compraria uma dose de cachaça.
Que sorte.
_Porque o Senhor Jesus voltará e ai daquele que não estiver preparado.
_Senhor, o Vila Yara passa aqui?
_Amendoim doce e salgado. Água mineral, Skol.
Na fila ele cambaleava,o chinelo escapava do pé.
O cobrador olhou pela janela: Pode subir.
O tiro foi certeiro.
As pessoas se afastaram.
No pneu preto o sangue cinza.
_Confia em Jesus,ele é o caminho, a verdade e a vida.
A Bíblia caída no chão,aberta no Salmo 23.
O Sol ainda castigava tudo.
As pombas ainda comiam restos de cachorro-quente.
Outro trem em direção a Itapevi.
A sirene da polícia flutuava ao longe.
Na tv do boteco passava o Video Show.
Ele nem olha pra trás, cabelo suado,músculos retesados
e a um palmo de ser morto.
Agacha repentinamente e pega a nota de dois reais
que descansava por sobre o asfalto quente.
Quem sabe compraria uma dose de cachaça.
Que sorte.
_Porque o Senhor Jesus voltará e ai daquele que não estiver preparado.
_Senhor, o Vila Yara passa aqui?
_Amendoim doce e salgado. Água mineral, Skol.
Na fila ele cambaleava,o chinelo escapava do pé.
O cobrador olhou pela janela: Pode subir.
O tiro foi certeiro.
As pessoas se afastaram.
No pneu preto o sangue cinza.
_Confia em Jesus,ele é o caminho, a verdade e a vida.
A Bíblia caída no chão,aberta no Salmo 23.
O Sol ainda castigava tudo.
As pombas ainda comiam restos de cachorro-quente.
Outro trem em direção a Itapevi.
A sirene da polícia flutuava ao longe.
Na tv do boteco passava o Video Show.
quinta-feira, 5 de novembro de 2015
Zen
Uma poesia doce
Que fale aos sentidos
De um perfume suave e facilmente explicável.
Uma poesia que seja repouso
E em teu colo se deite,suave
Uma poesia que te diga
O que não preciso dizer
e ressoe infinitamente dentro de cada minúscula parte do teu ser.
Uma lufada de ar fresco
E aquela luz de fim de tarde,com sua música preferida ao fundo.
Um gole de vinho embriagando o sorriso.
E andar de mãos dadas em direção a qualquer lugar.
Uma poesia tranquila e serena.
Transbordando compreensão.
Como uma canção do Paul
Como uma cena de algum filme bobo da sessão da tarde
Como o cheiro do café de manhã
O rádio tocando um velho jazz
Uma poesia que cure
E desvie toda saudade
Derramando-se em plenitude
No vasto campo de nós.
Encontros
Ricardo era seu nome.
Era baixinho, esguio,quase imperceptível.
Gostava de beber Corote no gargalo. De limão.
Curtia bandas cover de Guns and Roses. E dava moshs.
Trabalhava de garçom em uma churrascaria. Era vegetariano nas horas vagas.
Quase sempre esquecia o nome das pessoas.
Quase sempre chegava atrasado no serviço.
Quase sempre dormia depois das 4 da manhã. Quando dormia.
Seu filme preferido era o Clube da Luta.
Chegou a ir nas matinês do Rhapsody. Era clubber.
Um dia ,na rua dele, passou Roberta.
Ela era alta,magra,dominava o ambiente. Era expansiva.
Gostava de vinhos caros e taças de cristal. Ou Champagne.
Curtia Portishead. Tamborilava as batidas no isqueiro Zippo.
Trabalhava de editora de moda em uma grife famosa. Modelava às vezes.
Lembrava até o nome do primeiro poodle que teve aos 4 anos de idade.
Nunca dormia. Comia duas folhas de alface no almoço.
Seu filme preferido era Gilda.
Gostava de frequentar a Vila Olímpia. Dançava a noite toda movida a Ecstasy e Gatorade de Tangerina.
Nunca se encontraram.
quarta-feira, 21 de outubro de 2015
Poesia Light
Poesia light
pouco calórica
De amor, anoréxica
Grelhada,sem sal
Sem glúten,sem alma
Rima saborizada
Sem sangue correndo
Nas veias
Acordezinho em lá maior
com sétima aumentada
De dor desidratada
Seca,um pouquinho de azeite
Recomendado pela nutricionista
Pode trocar a solidão por um sonho mal redigido
E a libido por caminhadas regulares.
pouco calórica
De amor, anoréxica
Grelhada,sem sal
Sem glúten,sem alma
Rima saborizada
Sem sangue correndo
Nas veias
Acordezinho em lá maior
com sétima aumentada
De dor desidratada
Seca,um pouquinho de azeite
Recomendado pela nutricionista
Pode trocar a solidão por um sonho mal redigido
E a libido por caminhadas regulares.
terça-feira, 20 de outubro de 2015
Um Segundo
O andar descalço e obsessivo do Destino
Transformando toda poeira divina
em medos e olhares vazios.
Num segundo é o tudo,a árvore frondosa e raios de Sol brotando na
imensidão de planetas e satélites vivos.
E no próximo o silêncio,o andar de pés se arrastando,o escuro sonolento
O encarar reflexivo no espelho manchado e empoeirado da existência.
E o coração acelerado, a boca trêmula...
A espera desesperadora e frágil.
O céu azul tecido com linhas finas e frágeis.
Quase ouço o sangue correr nas veias
Quase sinto a alma saltando entre um abismo e outro sem olhar para baixo.
No entanto tudo é calmo
No entanto tudo é sonho
E fito o horizonte mal desenhado com o cansaço de um espírito
de cem mil anos. Inútil e louco. Mudo.
Transformando toda poeira divina
em medos e olhares vazios.
Num segundo é o tudo,a árvore frondosa e raios de Sol brotando na
imensidão de planetas e satélites vivos.
E no próximo o silêncio,o andar de pés se arrastando,o escuro sonolento
O encarar reflexivo no espelho manchado e empoeirado da existência.
E o coração acelerado, a boca trêmula...
A espera desesperadora e frágil.
O céu azul tecido com linhas finas e frágeis.
Quase ouço o sangue correr nas veias
Quase sinto a alma saltando entre um abismo e outro sem olhar para baixo.
No entanto tudo é calmo
No entanto tudo é sonho
E fito o horizonte mal desenhado com o cansaço de um espírito
de cem mil anos. Inútil e louco. Mudo.
quinta-feira, 8 de outubro de 2015
Palavra
Onde está a palavra,pálida e morta caindo pelos cantos?
Talvez uma trava,esquálida,torta e minguando aos prantos
Mas assim suave como um tempo ausente
Assim como o Sol sussurrando raios sem fim
A palavra entra de sola na imaginação, dois pés no peito
Sem tempo de defesa,sem jeito, sem companhia pra solidão
E você apenas silencia
tal qual animal com sua cria
quando na fome de partir, nem rosna,espera um novo dia.
Eu apenas espero,quase forte, em meio a ruídos e esgares
Que na arca dos sonhos,todos entrem , de pares em pares
E durmam,prontos a assumir qualquer risco quando de prontidão.
Sem crime, sem falso testemunho, sem perdão.
Onde está a palavra?
Talvez sangue escorrendo no chão
Ou permanecendo estática ou dançando livre em meio a multidão.
Talvez uma trava,esquálida,torta e minguando aos prantos
Mas assim suave como um tempo ausente
Assim como o Sol sussurrando raios sem fim
A palavra entra de sola na imaginação, dois pés no peito
Sem tempo de defesa,sem jeito, sem companhia pra solidão
E você apenas silencia
tal qual animal com sua cria
quando na fome de partir, nem rosna,espera um novo dia.
Eu apenas espero,quase forte, em meio a ruídos e esgares
Que na arca dos sonhos,todos entrem , de pares em pares
E durmam,prontos a assumir qualquer risco quando de prontidão.
Sem crime, sem falso testemunho, sem perdão.
Onde está a palavra?
Talvez sangue escorrendo no chão
Ou permanecendo estática ou dançando livre em meio a multidão.
Acalmando a calma
Um livro do Chuck Palahniuk
Flutuando na noite quente,dois olhos
Perguntas silenciadas
Respostas pouco articuladas
E o som óbvio da música obstrui qualquer capacidade mínima de concentração.
Teu caminho sinuoso e solitário
Talvez uma noite eterna de silêncios profundos
E qualquer cerveja derramada na mesa trará insetos sedentos por diversão.
Os olhos abertos
A calma fingida de mil anos atrás
Desvio os meus olhos por dez segundos
E o que sobra são longos dias de quase-morte, um tanto preguiçoso pra espertezas fúteis.
Não grite perto dos meus ouvidos.
Não duvide dos raios de Sol
Apenas ande,ande demoradamente até sumir no horizonte,ou no fim de uma esquina
Sonhos são sempre mais bonitos quando se acorda.
Flutuando na noite quente,dois olhos
Perguntas silenciadas
Respostas pouco articuladas
E o som óbvio da música obstrui qualquer capacidade mínima de concentração.
Teu caminho sinuoso e solitário
Talvez uma noite eterna de silêncios profundos
E qualquer cerveja derramada na mesa trará insetos sedentos por diversão.
Os olhos abertos
A calma fingida de mil anos atrás
Desvio os meus olhos por dez segundos
E o que sobra são longos dias de quase-morte, um tanto preguiçoso pra espertezas fúteis.
Não grite perto dos meus ouvidos.
Não duvide dos raios de Sol
Apenas ande,ande demoradamente até sumir no horizonte,ou no fim de uma esquina
Sonhos são sempre mais bonitos quando se acorda.
quarta-feira, 2 de setembro de 2015
Fast
Quero beber contigo
deitar no escuro
ouvindo Pink Floyd
Quero um sonho líquido
destruir um muro
crescer num segundo e ver o mundo por cima das nuvens.
teu beijo é estranho
como um gole de cerveja depois de ter escovado os dentes
nada é como antes
É ouvir Legião Urbana sem conhecer Joy Division
é ser de outro planeta e conversar com grilos.
quero fazer amor contigo
em outro mundo e em silêncio.
Quero minha alma de volta
antes da porta do supermercado fechar.
deitar no escuro
ouvindo Pink Floyd
Quero um sonho líquido
destruir um muro
crescer num segundo e ver o mundo por cima das nuvens.
teu beijo é estranho
como um gole de cerveja depois de ter escovado os dentes
nada é como antes
É ouvir Legião Urbana sem conhecer Joy Division
é ser de outro planeta e conversar com grilos.
quero fazer amor contigo
em outro mundo e em silêncio.
Quero minha alma de volta
antes da porta do supermercado fechar.
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