quinta-feira, 5 de novembro de 2015
Zen
Uma poesia doce
Que fale aos sentidos
De um perfume suave e facilmente explicável.
Uma poesia que seja repouso
E em teu colo se deite,suave
Uma poesia que te diga
O que não preciso dizer
e ressoe infinitamente dentro de cada minúscula parte do teu ser.
Uma lufada de ar fresco
E aquela luz de fim de tarde,com sua música preferida ao fundo.
Um gole de vinho embriagando o sorriso.
E andar de mãos dadas em direção a qualquer lugar.
Uma poesia tranquila e serena.
Transbordando compreensão.
Como uma canção do Paul
Como uma cena de algum filme bobo da sessão da tarde
Como o cheiro do café de manhã
O rádio tocando um velho jazz
Uma poesia que cure
E desvie toda saudade
Derramando-se em plenitude
No vasto campo de nós.
Encontros
Ricardo era seu nome.
Era baixinho, esguio,quase imperceptível.
Gostava de beber Corote no gargalo. De limão.
Curtia bandas cover de Guns and Roses. E dava moshs.
Trabalhava de garçom em uma churrascaria. Era vegetariano nas horas vagas.
Quase sempre esquecia o nome das pessoas.
Quase sempre chegava atrasado no serviço.
Quase sempre dormia depois das 4 da manhã. Quando dormia.
Seu filme preferido era o Clube da Luta.
Chegou a ir nas matinês do Rhapsody. Era clubber.
Um dia ,na rua dele, passou Roberta.
Ela era alta,magra,dominava o ambiente. Era expansiva.
Gostava de vinhos caros e taças de cristal. Ou Champagne.
Curtia Portishead. Tamborilava as batidas no isqueiro Zippo.
Trabalhava de editora de moda em uma grife famosa. Modelava às vezes.
Lembrava até o nome do primeiro poodle que teve aos 4 anos de idade.
Nunca dormia. Comia duas folhas de alface no almoço.
Seu filme preferido era Gilda.
Gostava de frequentar a Vila Olímpia. Dançava a noite toda movida a Ecstasy e Gatorade de Tangerina.
Nunca se encontraram.
quarta-feira, 21 de outubro de 2015
Poesia Light
Poesia light
pouco calórica
De amor, anoréxica
Grelhada,sem sal
Sem glúten,sem alma
Rima saborizada
Sem sangue correndo
Nas veias
Acordezinho em lá maior
com sétima aumentada
De dor desidratada
Seca,um pouquinho de azeite
Recomendado pela nutricionista
Pode trocar a solidão por um sonho mal redigido
E a libido por caminhadas regulares.
pouco calórica
De amor, anoréxica
Grelhada,sem sal
Sem glúten,sem alma
Rima saborizada
Sem sangue correndo
Nas veias
Acordezinho em lá maior
com sétima aumentada
De dor desidratada
Seca,um pouquinho de azeite
Recomendado pela nutricionista
Pode trocar a solidão por um sonho mal redigido
E a libido por caminhadas regulares.
terça-feira, 20 de outubro de 2015
Um Segundo
O andar descalço e obsessivo do Destino
Transformando toda poeira divina
em medos e olhares vazios.
Num segundo é o tudo,a árvore frondosa e raios de Sol brotando na
imensidão de planetas e satélites vivos.
E no próximo o silêncio,o andar de pés se arrastando,o escuro sonolento
O encarar reflexivo no espelho manchado e empoeirado da existência.
E o coração acelerado, a boca trêmula...
A espera desesperadora e frágil.
O céu azul tecido com linhas finas e frágeis.
Quase ouço o sangue correr nas veias
Quase sinto a alma saltando entre um abismo e outro sem olhar para baixo.
No entanto tudo é calmo
No entanto tudo é sonho
E fito o horizonte mal desenhado com o cansaço de um espírito
de cem mil anos. Inútil e louco. Mudo.
Transformando toda poeira divina
em medos e olhares vazios.
Num segundo é o tudo,a árvore frondosa e raios de Sol brotando na
imensidão de planetas e satélites vivos.
E no próximo o silêncio,o andar de pés se arrastando,o escuro sonolento
O encarar reflexivo no espelho manchado e empoeirado da existência.
E o coração acelerado, a boca trêmula...
A espera desesperadora e frágil.
O céu azul tecido com linhas finas e frágeis.
Quase ouço o sangue correr nas veias
Quase sinto a alma saltando entre um abismo e outro sem olhar para baixo.
No entanto tudo é calmo
No entanto tudo é sonho
E fito o horizonte mal desenhado com o cansaço de um espírito
de cem mil anos. Inútil e louco. Mudo.
quinta-feira, 8 de outubro de 2015
Palavra
Onde está a palavra,pálida e morta caindo pelos cantos?
Talvez uma trava,esquálida,torta e minguando aos prantos
Mas assim suave como um tempo ausente
Assim como o Sol sussurrando raios sem fim
A palavra entra de sola na imaginação, dois pés no peito
Sem tempo de defesa,sem jeito, sem companhia pra solidão
E você apenas silencia
tal qual animal com sua cria
quando na fome de partir, nem rosna,espera um novo dia.
Eu apenas espero,quase forte, em meio a ruídos e esgares
Que na arca dos sonhos,todos entrem , de pares em pares
E durmam,prontos a assumir qualquer risco quando de prontidão.
Sem crime, sem falso testemunho, sem perdão.
Onde está a palavra?
Talvez sangue escorrendo no chão
Ou permanecendo estática ou dançando livre em meio a multidão.
Talvez uma trava,esquálida,torta e minguando aos prantos
Mas assim suave como um tempo ausente
Assim como o Sol sussurrando raios sem fim
A palavra entra de sola na imaginação, dois pés no peito
Sem tempo de defesa,sem jeito, sem companhia pra solidão
E você apenas silencia
tal qual animal com sua cria
quando na fome de partir, nem rosna,espera um novo dia.
Eu apenas espero,quase forte, em meio a ruídos e esgares
Que na arca dos sonhos,todos entrem , de pares em pares
E durmam,prontos a assumir qualquer risco quando de prontidão.
Sem crime, sem falso testemunho, sem perdão.
Onde está a palavra?
Talvez sangue escorrendo no chão
Ou permanecendo estática ou dançando livre em meio a multidão.
Acalmando a calma
Um livro do Chuck Palahniuk
Flutuando na noite quente,dois olhos
Perguntas silenciadas
Respostas pouco articuladas
E o som óbvio da música obstrui qualquer capacidade mínima de concentração.
Teu caminho sinuoso e solitário
Talvez uma noite eterna de silêncios profundos
E qualquer cerveja derramada na mesa trará insetos sedentos por diversão.
Os olhos abertos
A calma fingida de mil anos atrás
Desvio os meus olhos por dez segundos
E o que sobra são longos dias de quase-morte, um tanto preguiçoso pra espertezas fúteis.
Não grite perto dos meus ouvidos.
Não duvide dos raios de Sol
Apenas ande,ande demoradamente até sumir no horizonte,ou no fim de uma esquina
Sonhos são sempre mais bonitos quando se acorda.
Flutuando na noite quente,dois olhos
Perguntas silenciadas
Respostas pouco articuladas
E o som óbvio da música obstrui qualquer capacidade mínima de concentração.
Teu caminho sinuoso e solitário
Talvez uma noite eterna de silêncios profundos
E qualquer cerveja derramada na mesa trará insetos sedentos por diversão.
Os olhos abertos
A calma fingida de mil anos atrás
Desvio os meus olhos por dez segundos
E o que sobra são longos dias de quase-morte, um tanto preguiçoso pra espertezas fúteis.
Não grite perto dos meus ouvidos.
Não duvide dos raios de Sol
Apenas ande,ande demoradamente até sumir no horizonte,ou no fim de uma esquina
Sonhos são sempre mais bonitos quando se acorda.
quarta-feira, 2 de setembro de 2015
Fast
Quero beber contigo
deitar no escuro
ouvindo Pink Floyd
Quero um sonho líquido
destruir um muro
crescer num segundo e ver o mundo por cima das nuvens.
teu beijo é estranho
como um gole de cerveja depois de ter escovado os dentes
nada é como antes
É ouvir Legião Urbana sem conhecer Joy Division
é ser de outro planeta e conversar com grilos.
quero fazer amor contigo
em outro mundo e em silêncio.
Quero minha alma de volta
antes da porta do supermercado fechar.
deitar no escuro
ouvindo Pink Floyd
Quero um sonho líquido
destruir um muro
crescer num segundo e ver o mundo por cima das nuvens.
teu beijo é estranho
como um gole de cerveja depois de ter escovado os dentes
nada é como antes
É ouvir Legião Urbana sem conhecer Joy Division
é ser de outro planeta e conversar com grilos.
quero fazer amor contigo
em outro mundo e em silêncio.
Quero minha alma de volta
antes da porta do supermercado fechar.
segunda-feira, 10 de agosto de 2015
Poeira suja das horas
Você tem uma certa razão,quando diz que não alimentei direito meu ego.
E cego, tateio as paredes úmidas da memória,procurando encontrar sentido.
E aterrorizo meus medos,me vingo lentamente,em cada escolha errada,em cada segundo vivido.
Você naturalmente se acha esperta,tem mil argumentos guardados que quase sempre dão certo,não nego.
Mas se esconde atrás da velha árvore sem galhos que há muito já morreu.
Teu rosto permanece em cada canto da sala,talvez desbote e desapareça algum dia
Tua fotografia,em preto e branco, saudade cheirando a mofo,quase longe demais pra se ouvir.
E tudo fica esperando, o universo quieto,uma platéia atenta, quase sem respirar,enquanto assistia
Depois de horas em silêncio, a rígida dança do cérebro tenso,explode o acorde distorcido.
Podia ter esquecido, sim, podia ter esquecido.
E na poeira suja das horas,os olhos enxergam prazer
E suave como o suspiro antes da morte
Abandono tudo,ilumino de sombras o fio inerte que me prende a você.
E me movo,apenas em pensamento,a procura de um mito ao qual me agarrar e definhar inocentemente.
terça-feira, 4 de agosto de 2015
Pois é
Pois é
Mais uma vez eu não pensei
Só soube agir com impulsividade.
E aí queria estar em outra cidade
Estar bem longe pra poder nunca mais te encontrar.
Mais uma vez eu não pensei
Só soube agir com impulsividade.
E aí queria estar em outra cidade
Estar bem longe pra poder nunca mais te encontrar.
Não consegui sequer falar
Não consegui sequer abrir a boca
Pra dizer alguma coisa louca
que você provavelmente não iria entender
Não consegui sequer abrir a boca
Pra dizer alguma coisa louca
que você provavelmente não iria entender
Mas...
Quando eu te ver eu vou te abraçar
Dizer que eu sei bem o que você passou
Sorrir,assim,me despedir,virar as costas e voltar pro lugar de onde eu vim.
Dizer que eu sei bem o que você passou
Sorrir,assim,me despedir,virar as costas e voltar pro lugar de onde eu vim.
Mais uma vez eu entendi
Que nada disso é importante
Meu sofrimento é irrelevante
E nada,nada,nada,nada,nada vai fazer você voltar.
Que nada disso é importante
Meu sofrimento é irrelevante
E nada,nada,nada,nada,nada vai fazer você voltar.
terça-feira, 21 de julho de 2015
5 horas da manhã
5 horas da manhã
O cheiro do café invade o quarto, o som do rádio baixinho na cozinha.
Hora de ir pra escola e meu avô sempre estava ouvindo Zé Bettio na rádio, e o som da máquina de costura
da minha avó ininterruptamente fazendo acorde com o rádio, eu sorria e ficava feliz, mesmo sonolento e
com preguiça de ir para escola tão cedo.
Voltava da escola correndo pra poder assistir ao Chaves sentado no sofá, comendo virado de feijão
com café. Meu avô também assistia comigo, ríamos daquelas mesmas piadas todos os dias e era tão
bom que no dia seguinte acontecia de novo.
Meu avô tinha um bodoque, que pra quem não sabe é tipo um arco de flecha, mas dispara bolinhas
de argila, que ele fazia e colocava pra secar. Ele deixava eu brincar com o bilboquê enquanto isso.
Minha avó estava sempre na cozinha essas horas,dava pra ouvir o Oiiiiiii, gente vindo do rádio, o
que significava que ela estava ouvindo o radialista preferido dela, o Eli Corrêa.
E lá ia eu para a rua jogar bolinha de gude e rodar pião com os meninos, ou então caçar frutas no
terreno baldio perto de casa, uvinha japonesa, saco de bode ... bons tempos.
Assinar:
Postagens (Atom)



