Um livro do Chuck Palahniuk
Flutuando na noite quente,dois olhos
Perguntas silenciadas
Respostas pouco articuladas
E o som óbvio da música obstrui qualquer capacidade mínima de concentração.
Teu caminho sinuoso e solitário
Talvez uma noite eterna de silêncios profundos
E qualquer cerveja derramada na mesa trará insetos sedentos por diversão.
Os olhos abertos
A calma fingida de mil anos atrás
Desvio os meus olhos por dez segundos
E o que sobra são longos dias de quase-morte, um tanto preguiçoso pra espertezas fúteis.
Não grite perto dos meus ouvidos.
Não duvide dos raios de Sol
Apenas ande,ande demoradamente até sumir no horizonte,ou no fim de uma esquina
Sonhos são sempre mais bonitos quando se acorda.
quinta-feira, 8 de outubro de 2015
quarta-feira, 2 de setembro de 2015
Fast
Quero beber contigo
deitar no escuro
ouvindo Pink Floyd
Quero um sonho líquido
destruir um muro
crescer num segundo e ver o mundo por cima das nuvens.
teu beijo é estranho
como um gole de cerveja depois de ter escovado os dentes
nada é como antes
É ouvir Legião Urbana sem conhecer Joy Division
é ser de outro planeta e conversar com grilos.
quero fazer amor contigo
em outro mundo e em silêncio.
Quero minha alma de volta
antes da porta do supermercado fechar.
deitar no escuro
ouvindo Pink Floyd
Quero um sonho líquido
destruir um muro
crescer num segundo e ver o mundo por cima das nuvens.
teu beijo é estranho
como um gole de cerveja depois de ter escovado os dentes
nada é como antes
É ouvir Legião Urbana sem conhecer Joy Division
é ser de outro planeta e conversar com grilos.
quero fazer amor contigo
em outro mundo e em silêncio.
Quero minha alma de volta
antes da porta do supermercado fechar.
segunda-feira, 10 de agosto de 2015
Poeira suja das horas
Você tem uma certa razão,quando diz que não alimentei direito meu ego.
E cego, tateio as paredes úmidas da memória,procurando encontrar sentido.
E aterrorizo meus medos,me vingo lentamente,em cada escolha errada,em cada segundo vivido.
Você naturalmente se acha esperta,tem mil argumentos guardados que quase sempre dão certo,não nego.
Mas se esconde atrás da velha árvore sem galhos que há muito já morreu.
Teu rosto permanece em cada canto da sala,talvez desbote e desapareça algum dia
Tua fotografia,em preto e branco, saudade cheirando a mofo,quase longe demais pra se ouvir.
E tudo fica esperando, o universo quieto,uma platéia atenta, quase sem respirar,enquanto assistia
Depois de horas em silêncio, a rígida dança do cérebro tenso,explode o acorde distorcido.
Podia ter esquecido, sim, podia ter esquecido.
E na poeira suja das horas,os olhos enxergam prazer
E suave como o suspiro antes da morte
Abandono tudo,ilumino de sombras o fio inerte que me prende a você.
E me movo,apenas em pensamento,a procura de um mito ao qual me agarrar e definhar inocentemente.
terça-feira, 4 de agosto de 2015
Pois é
Pois é
Mais uma vez eu não pensei
Só soube agir com impulsividade.
E aí queria estar em outra cidade
Estar bem longe pra poder nunca mais te encontrar.
Mais uma vez eu não pensei
Só soube agir com impulsividade.
E aí queria estar em outra cidade
Estar bem longe pra poder nunca mais te encontrar.
Não consegui sequer falar
Não consegui sequer abrir a boca
Pra dizer alguma coisa louca
que você provavelmente não iria entender
Não consegui sequer abrir a boca
Pra dizer alguma coisa louca
que você provavelmente não iria entender
Mas...
Quando eu te ver eu vou te abraçar
Dizer que eu sei bem o que você passou
Sorrir,assim,me despedir,virar as costas e voltar pro lugar de onde eu vim.
Dizer que eu sei bem o que você passou
Sorrir,assim,me despedir,virar as costas e voltar pro lugar de onde eu vim.
Mais uma vez eu entendi
Que nada disso é importante
Meu sofrimento é irrelevante
E nada,nada,nada,nada,nada vai fazer você voltar.
Que nada disso é importante
Meu sofrimento é irrelevante
E nada,nada,nada,nada,nada vai fazer você voltar.
terça-feira, 21 de julho de 2015
5 horas da manhã
5 horas da manhã
O cheiro do café invade o quarto, o som do rádio baixinho na cozinha.
Hora de ir pra escola e meu avô sempre estava ouvindo Zé Bettio na rádio, e o som da máquina de costura
da minha avó ininterruptamente fazendo acorde com o rádio, eu sorria e ficava feliz, mesmo sonolento e
com preguiça de ir para escola tão cedo.
Voltava da escola correndo pra poder assistir ao Chaves sentado no sofá, comendo virado de feijão
com café. Meu avô também assistia comigo, ríamos daquelas mesmas piadas todos os dias e era tão
bom que no dia seguinte acontecia de novo.
Meu avô tinha um bodoque, que pra quem não sabe é tipo um arco de flecha, mas dispara bolinhas
de argila, que ele fazia e colocava pra secar. Ele deixava eu brincar com o bilboquê enquanto isso.
Minha avó estava sempre na cozinha essas horas,dava pra ouvir o Oiiiiiii, gente vindo do rádio, o
que significava que ela estava ouvindo o radialista preferido dela, o Eli Corrêa.
E lá ia eu para a rua jogar bolinha de gude e rodar pião com os meninos, ou então caçar frutas no
terreno baldio perto de casa, uvinha japonesa, saco de bode ... bons tempos.
terça-feira, 20 de janeiro de 2015
Sobre escrever
Creio que com a literatura deveria acontecer o mesmo processo da escrita,primeiro se aprende cada parte do violão, depois o nome de cada corda, como construir cada acorde, como extrair o som, e só depois , sem pressa (Existem aqueles que querem fazer acordes e criar música antes de dominar o instrumento) vamos aprendendo e praticando,ouvindo música ,muita música (assim como deve-se ler muito), assim a música vai se desnudando, o que era pura apreciação passa a ser apreciação e observação de estrutura, de acordes, a gente começa a perceber como o músico trabalha os timbres, como constrói e explora acordes, como é o processo de criação e só depois torna-se instintivo,os timbres, montagem de acordes,ritmo, melodia, compassos.
Acredito que na literatura também é assim, o uso da palavra certa com o ritmo adequado, o silêncio, as pausas,as metáforas e imagens...o uso de combinações de palavras para gerar uma terceira idéia, tirar a palavra do seu uso comum e pintar de outra cor.
Do mesmo modo que na música pode surgir um gênio que não estudou o instrumento e pode ser criativo o bastante para criar algo belíssimo,na literatura também pode acontecer, são poucos.
Aprender e dominar a estrutura toda e todas as regras para depois quebrá-las e desconstruí-las.
Na música também existe também os extremamente técnicos com ausência total de feeling e de sentimento, dá sono, assim como músicos que não são muito técnicos e que superam com feeling, com sentimento e vivência.
Alguns juntam as duas coisas, os Hendrix, Zappa e Edgar Allan Poe
Mas para nós, meros mortais, nos resta ler muito, estudar muito, praticar, viver, viver e viver mais e observar mais um tanto. Borrar-se de tinta,espalhar universos,testar,brincar,não respeitar tanto as palavras, abrace-as, seja amigo delas,ande lado a lado, beba com elas, se divirta.
quinta-feira, 15 de janeiro de 2015
Silêncio
O primeiro silêncio
Depois da meia-noite
Eu aguardo.
Não chorei por você
Não me venha agora me pedir
Para saber
Não quero e não vou.
A primeira palavra
É agora
Lá de fora um barulho de sei lá o que
Me assusta
Me enfeitiça
Me lê de trás pra frente
E eu ali,parado
Sendo escaneado por você.
Não faço parte
Não pedi por nada
E na esquina letal do amor maldito.
Sou apenas uma letra mal escrita.
Depois da meia-noite
Eu aguardo.
Não chorei por você
Não me venha agora me pedir
Para saber
Não quero e não vou.
A primeira palavra
É agora
Lá de fora um barulho de sei lá o que
Me assusta
Me enfeitiça
Me lê de trás pra frente
E eu ali,parado
Sendo escaneado por você.
Não faço parte
Não pedi por nada
E na esquina letal do amor maldito.
Sou apenas uma letra mal escrita.
sexta-feira, 21 de novembro de 2014
A Espera
Ela se sentou em frente ao armário.
Arma engatilhada,duas balas.
Os olhos pesados.
Ele não fugiria,não,não poderia.
Há dois minutos não se ouvia mais nenhum barulho lá dentro.
O celular toca.
Whatsapp.
Quando levanta os olhos do celular a porta está entreaberta.
Apenas a longa cauda se arrastando em um vulto por debaixo da cama.
Um tiro.
O grito foi ensurdecedor.
Abriu as asas,voou pela janela.
Elza guardou a arma,arfante.
Ligou a tv ,passava um filme de terror, bocejou.
Arma engatilhada,duas balas.
Os olhos pesados.
Ele não fugiria,não,não poderia.
Há dois minutos não se ouvia mais nenhum barulho lá dentro.
O celular toca.
Whatsapp.
Quando levanta os olhos do celular a porta está entreaberta.
Apenas a longa cauda se arrastando em um vulto por debaixo da cama.
Um tiro.
O grito foi ensurdecedor.
Abriu as asas,voou pela janela.
Elza guardou a arma,arfante.
Ligou a tv ,passava um filme de terror, bocejou.
O homenzinho
Fome.
2 da manhã.
Leila tocou no celular para iluminar o caminho até a geladeira.
Pé ante pé, silenciosamente.
Abriu lentamente o refrigerador.
Viu algo se mexer lá dentro.
Um homenzinho estava sentado no pote de margarina comendo
um pedaço de queijo.
Correu, assustado, se escondeu atrás dos iogurtes.
Leila esfregou os olhos,bocejou, pegou um pedaço de torta e fechou a geladeira.
_Tomara que não consiga abrir meus hot pockets,pensou.
2 da manhã.
Leila tocou no celular para iluminar o caminho até a geladeira.
Pé ante pé, silenciosamente.
Abriu lentamente o refrigerador.
Viu algo se mexer lá dentro.
Um homenzinho estava sentado no pote de margarina comendo
um pedaço de queijo.
Correu, assustado, se escondeu atrás dos iogurtes.
Leila esfregou os olhos,bocejou, pegou um pedaço de torta e fechou a geladeira.
_Tomara que não consiga abrir meus hot pockets,pensou.
segunda-feira, 17 de novembro de 2014
Rabo de Rato
Jorge trabalha em um lixão,em Carapicuíba.
Ratos, baratas,garrafas pet,bonecas sem cabeça e cds do Cidade Negra,são alguns dos objetos que ele encontra invariavelmente durante a caçada.
Um dia ele encontrou um dedo.
Colocou-o em um chaveiro,andava para todos os lados
com aquele dedo pendurado em um molho de chaves que nada abriam.
Segunda-feira à noite estava embriagado,bebeu meia dúzia de Corotes de limão.
Ia saindo cambaleando ,desviando dos sacos de lixo derramando chorume,era noite.
Tropeçou em uma caixa de papelão,bateu a cabeça, sangrou.
Adormeceu em meio ao lixo.
Um rato mordeu o dedo-chaveiro,levou com chave e tudo.
Jorge hoje trabalha vendendo cachorro quente no largo de Osasco, as vezes vai ao Mineiro, beber seus Corotes de limão.
A garotada estranha aquele rabo de rato pendurado no chaveiro. Vingança.
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