terça-feira, 19 de junho de 2012

Linguagem, Ideologia,Facebook e Slogans


“A estrutura da língua que uma pessoa fala influencia a maneira com que esta pessoa percebe o universo ...”
“Uma palavra que não representa uma idéia é uma coisa morta, da mesma forma que uma idéia não incorporada em palavras não passa de uma sombra.”
Esses pensamentos são de Vygotsky, um gênio da psicologia.
Por esses dias estava analisando os posts do Facebook e cheguei à uma conclusão, depois de conversar horas com diversos tipos de pessoas e ouvir diversos tipos de argumentos.
Bem, pode parecer infantil a conclusão, mas vamos á ela:
O Facebook é um microcosmo onde não habitam idéias e sim slogans,seja a publicidade ao lado, o post engraçado ou a idéia política e engajada.
A publicidade precisa ser rápida e facilmente captada, ao contrário de um debate que precisa ser analisado de vários ângulos e pesquisado longamente.

Sim, apenas slogans,sem profundidade alguma.

Da mesma maneira que a publicidade se apropria da arte e se torna algo diferente , os posts se apropriam da ideologia, da arte, do protesto e se transformam em slogan.Vamos retroceder um pouco: 

De acordo com Vygotsky, todas as atividades cognitivas básicas do indivíduo ocorrem de acordo com sua história social e acabam se constituindo no produto do desenvolvimento histórico-social de sua comunidade (Luria, 1976). Portanto, as habilidades cognitivas e as formas de estruturar o pensamento do indivíduo não são determinadas por fatores congênitos. São, isto sim, resultado das atividades praticadas de acordo com os hábitos sociais da cultura em que o indivíduo se desenvolve. Conseqüentemente, a história da sociedade na qual a criança se desenvolve e a história pessoal desta criança são fatores cruciais que vão determinar sua forma de pensar. Neste processo de desenvolvimento cognitivo, a linguagem tem papel crucial na determinação de como a criança vai aprender a pensar, uma vez que formas avançadas de pensamento são transmitidas à criança através de palavras (Murray Thomas, 1993).

A criança até certa idade possui apenas desejos e não difere de qualquer outro animal no que diz respeito à comunicação, pois tenta se expressar através do choro pra suprir suas necessidades básicas e não possui a formação abstrata de idéias.
Pensamento e Linguagem são interligados, dito isso chego à consclusão de que uma pessoa que domina a linguagem domina o pensamento e a transmissão de conhecimento só se dá através da desta.
Muitas vezes nos pegamos tentando formular uma idéia mais complexa e nos falta vocabulário.Que fique claro que não é só linguagem escrita e sim a falada também.
Caso não se possua esse domínio não se pode compreender os livros, algo muito semelhante ao que ocorria na Idade Média, onde somente os nobres tinham esse domínio.
Nesse caso ficaríamos à mercê de interpretadores porque não sabemos "ler" a fonte, e interpretadores podem nos conduzir por um caminho que chegue à conclusão que eles desejam .
Na universidade muitas vezes as pessoas ficam bravas porque precisam ler um autor muito complexo que , na verdade, precisa descrever argumentos e teses de uma forma que não exista muitos tipos de interpretação, por isso não pode "facilitar" a linguagem.
Fora todas as vezes que ouvimos um professor que está interpretando um outro professor que leu um autor que desenvolveu um trabalho de interpretação de um teórico , que escreveu em russo. E depois na aula alguns não entendem e o professor mastiga mais, aí se perdeu 80 % .
E aí eu chego à conclusão que as teorias viram slogans.
Em contraposição à idéia de que Deus nos criou da argila eu ouço muitas pessoas dizendo que viemos do macaco, que Charles Darwin disse isso.Fui tentar entender a teoria, é complexa, cheia de termos biológicos e dissertações longas, mas o homem não veio do macaco, apenas evoluímos de um ancestral comum.
Imagine se todas as vezes que formos discutir isso tivermos de nos debruçar sobre a teoria, não é mais fácil criar um slogan?
Slogans são de fácil assimilação e não precisam ser deduções verdadeiras, podem vir de premissas falsas.
O problema é quando usa-se o mesmo dispositivo pra divulgar ideologias,usa-se o mesmo processo argumentativo pra se vender um carro e pra se vender um posicionamento político e/ou ideológico.
Essa é minha conclusão, só existe debate verdadeiro no mundo real, com conversas longas, análises e sem conclusões precipitadas(embora no mundo real também exista essa Publicidade de ideologias).No mais,música, arte ,poesia e humor pra todos.

 A diferença entre a palavra certa e a palavra quase certa é a mesma que há entre o relâmpago (lightning) e o vagalume (lightning-bug). (Mark Twain)



segunda-feira, 11 de junho de 2012

Poesia Elétrica


Uma poesia bela
cheia de nós atemporais
recheada de clichés e assonâncias
Onde os olhos cansados e vazios repousem
e se sintam em casa.
Uma poesia sintética
aveludada e pouco alcoólica,
que reverencie um (a)deus.
Uma morte e mil sentidos.
Uma poesia que corroa por dentro,
que exploda na cara,
que jogue fumaça, cuspe e ferrugem
e silencie por mais de um segundo o barulho ensurdecedor da vida.
Uma poesia claustrofóbica,
ensanguentada e cruel.
Que se esconda atrás da porta e te mate de susto.
Uma poesia sutil e descabelada
que vire um copo de cachaça de uma só vez e arrote na cara do destino.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Instante

E então o instante perdido materializa-se em minha frente e sussurra:
 _Onde esteve? 
 Eu apenas olho fundo em seus olhos e nada respondo. 
 Como ousa indagar-me sem sequer saber meu nome?_penso. 
 Do outro lado da sala me olhas, um sorriso pálido, sutil. 
O silêncio serpenteia por sobre a sala. 
 E então o primeiro acorde do piano. 
 E então o primeiro cálice de vinho. 
 A primeira imagem desvanecida. 
 _Onde esteve? 
 Percebo que não estive 
 E do outro lado da sala nada existe. 
 E apenas o sussurro do instante permanece suspenso
 Equilibrando-se sobre todos
 Desmaterializa-se. 
 _Onde esteve?
 Mudo, danço estranhamente. 
 Derrubo o cálice 
 A música pára. 
 Mudo.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Fritz the Cat Soundtrack


Depois de um dia estressante de trabalho, cheguei em casa, mal tirei os sapatos e me joguei no sofá, olhando pro teto e pensando o que eu poderia ouvir pra dar uma reanimada no espírito...lembrei que tinha baixado a trilha sonora de um desenho malucão baseado em um personagem não menos maluco...então vamos por partes, daí podemos fazer uma interação multimídia pra quem não conhece o trabalho do artista mais udigrúdi das "comic books".
Robert Crumb (30 de agosto de 1943, Filadélfia, Pensilvânia) é um artista e ilustrador, reconhecido como um dos fundadores do movimento underground dos quadrinhos, e é considerado frequentemente como a figura mais proeminente nesse movimento, tendo como ponto de partida a publicação do gibi artesanal "Zap Comix". Seus trabalhos foram bastante apreciados na cena hippie, tendo deixado marcado nesta década a frase Keep on Truckin´ e os personagens Mr. Natural (um sábio mestre) e Fritz, the cat, um gato boa vida que usa muitas drogas e tem uma vida sexual bastante lasciva.

Crumb teve um filme/documentário sobre sua vida chamado Crumb lançado em 1994 pelo diretor Terry Zwigoff, tendo ênfase em sua família desestruturada e, sobre tudo, em seu irmão mais velho, Charles Crumb que, quando criança, obrigava Robert e seus outros irmãos a desenharem quadrinhos. Fazendo algumas poucas parcerias, Crumb começou a colaborar com o roteirista e arquivista Harvey Pekar, um homem da classe media baixa de Cleveland que narrou suas visões de mundo, mostrando o cotidiano tedioso da classe media americana, sem preocupações. Em 2003, Pekar teve sua obra auto-biografica levada às telas no filme "American Splendor", também tratando de sua relação outros autores, dentre eles, Crumb.

Recentemente, passou a adaptar obras literárias de autores como Franz Kafka, Charles Bukowski e Philip K. Dick e, nos últimos anos, dedica-se ao seu livro mais penoso: a quadrinização do velho testamento da Bíblia.

Em 2007, figurou o 20º lugar da lista de 100 gênios vivos, compilada pela empresa de consultoria global Synectics.

Atualmente, mora no sul da França com esposa e filha, ambas cartunistas.

Fritz - The Cat
Robert Crumb

Fritz, The Cat é o mais ácido e divertido comentário a respeito dos míticos anos 60. É um marco na história da contracultura. E é a história que transformou o desenhista Robert Crumb, muito a contragosto, em um dos mais respeitados, aclamados e polêmicos artistas da América. Por causa de Fritz, Robert Crumb passou a ser um herói da juventude rebelde dos anos 60, comparado a Bob Dylan e alvo do assédio da indústria cultural. No final dos anos 60, o sucesso do personagem saído do mundo underground era tamanho que já havia dois antologias com suas histórias. E que criou-se uma versão cinematográfica, grande sucesso de bilheteria. Crumb então fez aquilo que tantos astros pop anunciam mas nunca cumprem: voltou às costas para o sucesso e matou o personagem tão popular.

A história que descreve a morte de Fritz (assassinado por uma avestruz enciumada) está neste álbum. Assim como HQs amadores que Crumb fazia ainda quando adolescente. É um material produzido desde 1961 até 1971. A Conrad revirou coleções. Vasculhou revistas alternativas e diversas outras compilações. Localizou histórias perdidas, desenhos soltos e o resultado é que esta edição brasileira é a mais completa antologia das HQs de Fritz já publicada em todo o mundo.

http://www.badongo.com/en/file/7096994

Esse é o link pra baixar a trilha sonora.

Fritz the Cat (soundtrack)
From Wikipedia, the free encyclopedia
Jump to: navigation, search
Fritz the Cat

Soundtrack by Ed Bogas and Ray Shanklin
Released 1972
Recorded November 1971—January 1972
Length 38:44
Label Fantasy Records
Producer Ed Bogas and Ray Shanklin
Professional reviews
Allmusic link

Ralph Bakshi film soundtrack chronology
Fritz the Cat OST
(1972) Heavy Traffic OST
(1973)

A trilha sonora de Fritz the Cat é de 1972 . A trilha contém vários números de jazz, funk and rock and roll com performances de Ed Bogas and Ray Shanklin.

O álbum foi originalmente gravado na Fantasy Records em 1972. E regravado depois em 1996 em CD.

Track listing:

Black Talk (Charles Earland)
Duke's Theme (Ray Shanklin)
Fritz the Cat (Crumb-Bogas)
Mamblues (Cal Tjader)
Bo Diddley (Eugene McDaniels)
Performed by Bo Diddley
Bertha's Theme (Shanklin)
Winston (Ed Bogas)
House Rock (Bogas-Day)
The Synagogue (Traditional, arr. Bogas)
Yesterdays (Harbach-Kern)
Performed by Billie Holiday
Love Light of Mine (Betty Watson)
Performed by The Watson Sisters
The Riot (Bogas-Saunders)
You're The Only Girl (I Ever Really Loved) (Krantz-Bogas-Shanklin)



Bem, esclarecidos culturalmente, agora posso dizer qual foi a viagem maravilhosa estando deitado no sofá, com um copo de vinho na mão, e ouvindo essa preciosidade.
Jazz e funk de primeira, e na versão do cd tem "Twist and shout" com Isley Brothers muito boa...delirei com Fritz the Cat, a música, um black malucão com efeitos que pirariam se estivesse com algo ilícito em minha frágil mente(se é que vocês me entendem), mas como não uso essas coisas, prossigo com meu vinho e ouço Mamblues, mais uma pedrada certeira, um groove de fazer dançar até os mais duros joelhos, como o meus, por exemplo, mas eu danço aqui na minha cabeça, revendo mentalmente climas do filme e aquela viagem meio empoeirada que as fitas vhs nos fazem ter(assisti pela primeira vez numa fita adquirida numa locadora que estava fechando as portas...Bo Didley, muito bom...já meio aéreo e entra o groove hipnotizante de Bertha's theme , daí eu adormeci no sofá e acordei com Shine on you crazy diamond tocando....kkkkk, mas essa é outra história...

sábado, 25 de junho de 2011

Saudade...

E quando eu percebi a diferença sutil entre todos aqueles sons e danças e sorrisos encaixotados você me sorriu indiferente, levantou-se da cadeira e caminhou quase entorpecida pelo tapete vermelho de ilusões estrangeiras que eu guardava tão bem escondido no peito...Eu não consegui um beijo, não consegui um mínimo de respeito ou sequer uma lágrima pendurada no céu do teu olhar, mas ainda assim é noite, ainda assim a ganância fria e dormente dos meus sonhos sabe onde estou, e irá me buscar, arrastado, a saudade semi-serrada espalhando tudo...eu desviei meus planos, errei até não conseguir mais juntar os pedaços, e você permaneceu fixa, energeticamente estática naquela foto preto e branco, na suave melodia de um passado distante.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Contículos

Ela previu que naquele exato segundo haveria uma suave intenção que destilaria, por cada centímetro do quarto, um sentimento frio de desilusão.
Respirou fundo e caminhou distraidamente em direção à ele, baixou os olhos e assoviou calmamente uma canção dos Stones...retirou do bolso um punhado de sentimentos ,
disparou acidentalmente meia dúzia deles no rosto estúpido daquele estranho...moveu os lábios entoando um mantra ...o beijou no rosto...calmamente enterrou o punhal em seu estômago...
girou lá dentro em um ritmo acelerado, quando ele desmaiou frio no carpete encardido da sala ela beijou sua testa...levantou calmamente e continuou a assoviar Stones...caminhou em passos flutuantes
para fora da sala...abriu suas asas e sumiu na noite escura...ainda se ouvia o assovio...e seu rosto cintilando na retina...

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Para alguém

Eu olhei distraidamente para tua alma
Uma alma antiga ,incrustrada em olhos vivos
e daí por diante teu medo, sei lá de que, derramou-se por sobre a mesa
e eu ouvia a música, sem notar que eu poderia ter vivido algo
Eu poderia, mesmo sem controlar nada,sem criar vínculos
Sem satisfazer meu ego ou qualquer outro tipo de vaidade inescrupulosa, ter sentido o hálito frio do destino...
Mas a saudade é curta, a sensação morna dos lábios ásperos da calma me iludem
e te olhei mais uma vez
Não sabia onde por as mãos,nem meus sonhos, e nem o troco em moedas que a vida me dava...
Puxei a cadeira, me sentei de frente pra você...
Te olhei nos olhos...te vi bem de perto e ali me vi...prepotente, arguto, audacioso...
adormeci calmamente no colo suave do Tempo
Te desejei e me possuí
te farejei e senti o odor dos meus pensamentos...
ali sepultei todos os conselhos...
e esqueci os dias
Olhei pra tua alma...
Sorri

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Noite

Em questão de segundos ela se aproveitou da distração, moveu-se lentamente para perto dos seus sonhos, roubou meia dúzia deles e fugiu sorrateiramente pela porta dos fundos...levando consigo um punhado de moedas e um maço de cigarro...
_ Espere, me devolve somente aquele, é dele que me sustento e por ele que até hoje sem sinto um pouco menos louco...
_Todos esses sonhos são meus, não te roubei nada...
_Pelo menos me devolve um cigarro e duas moedas pra eu tomar uma pinga...
Somente se ouviu um bater de asas silencioso...ela subiu de um modo meio desastrado para o céu..flutuou por alguns segundos e desapareceu.
Ele olhou pra uma poça d'água o reflexo ondulante de sua cara suja...
Andou mais um pouco e deitou na calçada...vomitando o resto de vida que tivera...do alto da noite a música aumentou de volume e cobriu o escuro de notas frias...um vento gelado varreu a noite pra debaixo do tapete do tempo...e nada restou senão a calma leve e suave do desespero...

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Poem

On this erased catwalk of colors
your face illuminates the past
I open my arms
and fondling the void
fear and another look
your hand and flick the small air
designing a sound
spreads, slowly like a dream
drunk certainty
Tripping in poetry barefoot.
this avenue without asphalt
the bus stop in life
I signal and nothing stops.

when your kiss,
serene in the pale morning,
was fired at me smiling little, I had agreed, who knows the rain cross my face, and lying grow, the silence inside me,
thinking of you.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Sombra

Tua sombra presa na gaveta
e tão cinzenta quanto a solidão
teu medo e um pouquinho de razão
desesperada na certeza bêbada de caos
e um cinzeirinho no canto da sala.

Acendo mais um.
outro gole tímido
teus olhos percorrem meu medo
e eu me sinto assim quase fumaça...
mas faça
se tiver de fazer, faça.

Ainda pretendo dormir no teu colo
te olhar de lado
te entender mesmo sem querer
e te buscar quando você se perder.

Teu segredo tão bem guardado
quase percebo
quando você grita tão alto
Que teu mundo acabou.

Pessoas que aportaram por aqui: