Muitas vezes ela pensou em adormecer em plena rua,deitada de bruços, calça arriada, com uma flor na mão.
Típica falácia artística e bêbada,
mas tinha seu encanto ...
Ela não parava de falar um minuto, regurgitando conceitos e milagres à velocidade da luz
Eu escutava tudo, aflito, não interrompendo,arqueando as sobrancelhas levemente quando a situação pedia
Ela me estudava, quase displicentemente
Eu colocava Sonic youth no walkman e apertava o play com um brilho nos olhos.
Sonolentamente, pedia um beijo
Ela gritava e soluçava
e se despedia de si mesma, entornando seus sonhos goela adentro.
passei minhas mãos pelos seus cabelos e sorri provisoriamente...deitei em seu colo e olhei para
o céu...escrito nas nuvens estava um capítulo inteiro das minhas saudades...
domingo, 15 de fevereiro de 2009
terça-feira, 10 de fevereiro de 2009
Dualidades

Aquela semana eu meio que sabia que algo mudaria meu jeito de enxergar as coisas.
Um óculos de uma cor diferente, talvez
comprado numa megastore,meio paraguaio e sem proteção para raios ultravioleta.
Você gritou no meu ouvido:
_ Seja você, seja isso ou aquilo, seja mais, seja menos, seja algo.
Muitas vezes detono a serenidade dos meus dias com um pretexto meio bobo...
Verei mais um filme de madrugada, um com vampiras lésbicas, de preferência...
Eu não me engano, não minto pra mim mesmo, por mais que eu seja fácil de enganar...um menear de cabeça meio duvidoso
um piscar de olhos e eu acredito.
Acredito nas tuas meias-verdades, nas tuas incertezas sinceras, no teu jeito quase inumano de acreditar nas coisas...
mas eu sei que tudo é uma infinidade de cores rasgadas e jogadas no ventilador...um arco-íris meio despedaçado...
Tudo isso me faz pensar outra vez naqueles olhos, naquela expressão sonolenta do tempo escasso, do tempo perdido e sem volta
e mais do que tudo,admito a certeza
a certeza mutiladora
a certeza distante e entorpecedora de que nada é frágil quando se tem um dedo em riste.
Ponho-o no teu rosto, e te indago quase sorrindo:
Qual a razão disso tudo?
qual a beleza disso ter se transformado dessa forma?
qual a piada mais engraçada que Deus já contou?
Aquela semana eu imaginei tudo, menos te ver ali deitada embaixo do céu, vestida de mim.
Palavras

Cada vez que lembro de algum momento que eu fechei a boca
e engoli as palavras no momento que mais precisava me expressar
espanco algo que está às minhas vistas...ao alcance das minhas mãos, e as vezes esse algo sou eu mesmo.
Por que um sopro de razão sempre é bom,mas uma ventania amorfa de racionalidade as vezes desmancha meu penteado de ilusão.
Iludo-me com a probabilidade quase nula de que alguém ou algo se sinta tocado por algo tão frágil como palavras.
mas hoje mexi os lábios quase por mágica e deles saíram multidões de pensamentos e idéias... e foi inevitável me sentir mais perto de algo que nem mesmo sei o nome...mas era algo como uma
explosão suave e enlevada,um fluxo de sabe Deus lá o que me enxertando pueris ideais no mais íntimo do meu ser.
Ouvi de repente um cala a boca baixinho por cima do meu ombro...uma voz meio de grilo falante hipocondríaco e pigarrento que dizia que eu devia prestar mais atenção no que dizia...
Tudo são palavras...
Tudo é menos real e mais belo com palavras....tão fixas...tão fluidas e oníricas e frágeis e abandonadas...tão esvoaçantes e esfumaçadas...
Mas eu desmistifiquei tudo quando mexi freneticamente os lábios semi-sedados,mostrei as mordidas do destino sangrando, te devolvi o medo que você me emprestou
e me despedi.
Cada vez que ouço aquela palavra algo morre em mim.
quinta-feira, 11 de setembro de 2008
Dia perfeito
Leve meus sonhos onde eles estejam seguros
e me traga um copo vazio...
Tranque suas paixões
seu tempo,sua dose diária de medo
entregue-se,sem algemas, ao delírio imediato...
e sem olhar para trás, identifique-se
sem chorar, sem lágrimas incoerentes
diga o que pensa e se cale
enforque-se com a corda da razão
demita-se do mundo
deite-se,enxugue-se
mate cada minuto de silêncio
mude o tom do teu discurso
encare-se, navegue-se
mutile seus desejos, marque com um "x" cada frase repetida
cada sopro mentiroso de alívio
cada suspiro de decepção
leve suas roupas,suas toalhas sujas
lave seu rosto, sua alma
em em meio a coragem dissidente
em meio as fraquezas e aos suicídios fracassados
planeje uma facada certeira
no coração cambaleante
de um dia perfeito.
e me traga um copo vazio...
Tranque suas paixões
seu tempo,sua dose diária de medo
entregue-se,sem algemas, ao delírio imediato...
e sem olhar para trás, identifique-se
sem chorar, sem lágrimas incoerentes
diga o que pensa e se cale
enforque-se com a corda da razão
demita-se do mundo
deite-se,enxugue-se
mate cada minuto de silêncio
mude o tom do teu discurso
encare-se, navegue-se
mutile seus desejos, marque com um "x" cada frase repetida
cada sopro mentiroso de alívio
cada suspiro de decepção
leve suas roupas,suas toalhas sujas
lave seu rosto, sua alma
em em meio a coragem dissidente
em meio as fraquezas e aos suicídios fracassados
planeje uma facada certeira
no coração cambaleante
de um dia perfeito.
A luz apagou...
Eu atravesso teus olhos como lanças
eu me vigio e me enlaço, e tudo que me resta é sussurrar novamente a velha melodia,
ecoando surdamente pelos túneis escuros de nossas almas.
Um dia a mais no calendário estupefato.
um olhar descrente de decepção
um olhar cálido de afeto descontrolado
me ajoelho e sinto o refluxo absurdo de situações e paixões deixadas pela metade
vagando pelo infinito como ondas minúsculas de desconcertadas imagens,
projetadas na parede branca do universo
desgastadas, desbotadas
A luz apagou...
Com medo de trair meus próprios pensamentos, me desespero...
tua visão se encobre
a poeira de anos de solidão
sobe lentamente
um minuto perfura a eternidade
e cada sensatez se disfarça de crueldade
perfazendo quilômetros de nuances mentirosas de vidas vazias
e a fragilidade sucumbe,explodindo no ar...
Em um piscar de olhos, a luz se apaga e a vida tateia no escuro, esperando o fim.
eu me vigio e me enlaço, e tudo que me resta é sussurrar novamente a velha melodia,
ecoando surdamente pelos túneis escuros de nossas almas.
Um dia a mais no calendário estupefato.
um olhar descrente de decepção
um olhar cálido de afeto descontrolado
me ajoelho e sinto o refluxo absurdo de situações e paixões deixadas pela metade
vagando pelo infinito como ondas minúsculas de desconcertadas imagens,
projetadas na parede branca do universo
desgastadas, desbotadas
A luz apagou...
Com medo de trair meus próprios pensamentos, me desespero...
tua visão se encobre
a poeira de anos de solidão
sobe lentamente
um minuto perfura a eternidade
e cada sensatez se disfarça de crueldade
perfazendo quilômetros de nuances mentirosas de vidas vazias
e a fragilidade sucumbe,explodindo no ar...
Em um piscar de olhos, a luz se apaga e a vida tateia no escuro, esperando o fim.
terça-feira, 12 de agosto de 2008
O Tempo
Tapei a boca do tempo pra ele não gritar
um descuido e o silêncio explode
em gotas eternas e melodias sangrentas.
Hoje teus lábios desenham frases sagradas
e eu mantenho os olhos sobre tua alma
vigiando cada segundo, cada metro, cada degrau
não sou um mártir
não tenho desejos
apenas o máu-hálito do tempo em frente ao meu rosto
murmurando previsões malditas
mastigando verbos decaídos e derramando
saliva, suór e a febre de um dia normal.
tuas mãos, raízes
óbitos,velas, e um segredo perturbador fugindo pelas frestas, se arrastando pelas sombras.
mais um sonho percorrendo minhas veias
mais um veneno injetado na retina
e milhões de minúsculos Sóis me queimando a pele
Soprei o último sentido
Adormeci, velando meu próprio corpo
imensamente entregue a tudo que não era eu.
um descuido e o silêncio explode
em gotas eternas e melodias sangrentas.
Hoje teus lábios desenham frases sagradas
e eu mantenho os olhos sobre tua alma
vigiando cada segundo, cada metro, cada degrau
não sou um mártir
não tenho desejos
apenas o máu-hálito do tempo em frente ao meu rosto
murmurando previsões malditas
mastigando verbos decaídos e derramando
saliva, suór e a febre de um dia normal.
tuas mãos, raízes
óbitos,velas, e um segredo perturbador fugindo pelas frestas, se arrastando pelas sombras.
mais um sonho percorrendo minhas veias
mais um veneno injetado na retina
e milhões de minúsculos Sóis me queimando a pele
Soprei o último sentido
Adormeci, velando meu próprio corpo
imensamente entregue a tudo que não era eu.
segunda-feira, 9 de junho de 2008
Devaneios

Esse meu sentimento-alvo,perdido
numa rua suja e escura no centro do meu coração
prevejo uma viagem quase perdida e sem volta
(e aquela música suave no mp3)
A voz rouca de uma senhora idosa contando ao filho os desígnios de Deus
e em meu pensamento eu praguejava e desrespeitava os desígnios de quem quer que seja.
Cerveja,sexo,algumas canções de artistas falidos e poesias deprimentes de poetas mortos.
Uma fumaça fedida de cigarro,um beijo que nem foi cogitado
e de novo eu choro nem sei por quem e para que.
O universo,um minúsculo universo,explodindo retoricamente por entre meu sangue.
Onde está aquele sorriso?
Cavernas de aço
olhos,lábios,esquinas
e o ruído de mil melodias descompassadas
sacrificando e crucificando ordinariamente aquele Cristo estampado na parede.
Bebo um café e grito o mais alto possível
Cabelos,sangue, unhas,uma ferida enorme e aberta no fundo do espírito
(e a dor mal disfarçada entornando reflexos escaldantes por sobre a fria camada de ódio que repeliu e repele toda e qualquer felicidade)
Eloquência inoperante
Maldisse tantas vezes essa virtude
e quem dera me abandonasse sem avisar
num súbito homicídio sem armas, sem sangue, sem medo
Chamei você pelo nome
e quando você me viu se calou e desviou o olhar e atravessou a rua e bateu suas asas para uma dimensão que nem ouso percorrer
Mas te encontro em qualquer esquina,em qualquer sofá, no sonho que não terminei,e na promessa vazia que fiz e que se transformou em destino
e mais uma vez o Sol derramou seus raios na sua janela fechada
e você dormiu,quase cega, na grama alta dos seus devaneios.
Recado
Obviamente não se trata de um recado
Escrito em tom menor ou perdido em uma escuridão proposital
Descartado e apagado entre os cadeados enferrujados da memória
Nem se trata de um sussurro engasgado, previsto e invisível.
Uma palavra não se passa de mão em mão
nem se vira o rosto dissimuladamente para entregar ao ladrão
nem se sequestra versos ou poesias.
E mesmo vendo seu rosto estampado na tela
com o coração palpitando
e um sorriso sincero no olhar
não se trata de uma alma
desmanchada em gestos eternos
manchada e manipulada por deduções absolutas
e um vento quase morno permeia meu peito
desfaz as sequelas, revira os sentimentos, um a um
e nada sobrevive, de pé
obviamente não se trata de um recado
apenas duas linhas de medo transmutado em palavras
assinando em desalinho
um eterno prometer.
Escrito em tom menor ou perdido em uma escuridão proposital
Descartado e apagado entre os cadeados enferrujados da memória
Nem se trata de um sussurro engasgado, previsto e invisível.
Uma palavra não se passa de mão em mão
nem se vira o rosto dissimuladamente para entregar ao ladrão
nem se sequestra versos ou poesias.
E mesmo vendo seu rosto estampado na tela
com o coração palpitando
e um sorriso sincero no olhar
não se trata de uma alma
desmanchada em gestos eternos
manchada e manipulada por deduções absolutas
e um vento quase morno permeia meu peito
desfaz as sequelas, revira os sentimentos, um a um
e nada sobrevive, de pé
obviamente não se trata de um recado
apenas duas linhas de medo transmutado em palavras
assinando em desalinho
um eterno prometer.
Sono Falso
Quantas vezes pensei em voltar aquele lugar,tocar cada objeto e lembrar de todos os segundos que estive em sua companhia,rever as desgraças uma a uma,satisfeito por ter resolvido me enganar até agora e me despedir lentamente da minha última solidão.Quantas vezes me despedi sorrindo e acenando pra ninguém,tropeçando em detalhes,caindo de cara em desatinos,e você, lentamente absorta em devaneios,com as costas marcadas pelo sopro do destino.Olhei em volta e vi tua sombra,deitada sobre o asfalto quente,me desesperando.
Quantas vezes menti friamente pra mim mesmo e acreditei,sonhos são reflexos indubitáveis de desesperanças e vontades perdidas no tempo e eu me entrego a eles como se não houvesse outra saída.
Em frente ao espelho da sala eu olho o relógio,as horas passam calmamente,e em outro segundo estático eu vejo tua imagem, e prefiro cerrar os olhos,encarando o escuro da minha mente, fixamente.Teu lado mais suave, mais frágil,desmoronou por sobre tudo e confirmou a morte presumida de mil deuses.Nada é belo agora, nada é são, nada é milagroso, é tudo uma pilha enorme de lembranças, escorrendo pelo chão e manchando os raios transparentes do Sol.
Quantas vezes me perdi, sorrateiramente, pra me encontrar, antes de mim, pelo terreno deserto do amor, e me iludi, me desesperei, me encontrei e não era eu.
Quantas vezes a paz, companheira sutil, me enlouqueceu e me fez jogar tudo para o alto, num enorme desperdício de alma, e eu batia de frente com Deus, e ignorava o que estava escrito e determinado e ainda assim a beleza de ser traído pela divindade omissa e culpada tinge de negro cada partícula do meu ser, me tornando parte de todo de algo que me é misterioso.
Solte as amarras, traga os vícios, encontre as virtudes, beba o vinho do desespero lentamente, molhe o rosto, abra os olhos, erga a cabeça e fite o infinito, ele está ali, logo a frente, iluminado e arranjado meticulosamente pelas mãos hábeis de um anjo sem asas, e seus dedos atrofiados se estendem para cumprimentar sofregamente e me desejar uma boa sorte, em outra vida, em outra existência, em outra solidão resguardada, em outro mundo,como um ponto final disfarçado de vírgula, esperando um acorde súbito para acabar a música em uma pausa tranquila de um sono falso.
Quantas vezes menti friamente pra mim mesmo e acreditei,sonhos são reflexos indubitáveis de desesperanças e vontades perdidas no tempo e eu me entrego a eles como se não houvesse outra saída.
Em frente ao espelho da sala eu olho o relógio,as horas passam calmamente,e em outro segundo estático eu vejo tua imagem, e prefiro cerrar os olhos,encarando o escuro da minha mente, fixamente.Teu lado mais suave, mais frágil,desmoronou por sobre tudo e confirmou a morte presumida de mil deuses.Nada é belo agora, nada é são, nada é milagroso, é tudo uma pilha enorme de lembranças, escorrendo pelo chão e manchando os raios transparentes do Sol.
Quantas vezes me perdi, sorrateiramente, pra me encontrar, antes de mim, pelo terreno deserto do amor, e me iludi, me desesperei, me encontrei e não era eu.
Quantas vezes a paz, companheira sutil, me enlouqueceu e me fez jogar tudo para o alto, num enorme desperdício de alma, e eu batia de frente com Deus, e ignorava o que estava escrito e determinado e ainda assim a beleza de ser traído pela divindade omissa e culpada tinge de negro cada partícula do meu ser, me tornando parte de todo de algo que me é misterioso.
Solte as amarras, traga os vícios, encontre as virtudes, beba o vinho do desespero lentamente, molhe o rosto, abra os olhos, erga a cabeça e fite o infinito, ele está ali, logo a frente, iluminado e arranjado meticulosamente pelas mãos hábeis de um anjo sem asas, e seus dedos atrofiados se estendem para cumprimentar sofregamente e me desejar uma boa sorte, em outra vida, em outra existência, em outra solidão resguardada, em outro mundo,como um ponto final disfarçado de vírgula, esperando um acorde súbito para acabar a música em uma pausa tranquila de um sono falso.
Desabafo
Não existe satisfação total na vida.
Andei pensando sobre o que me faz feliz, ou satisfeito, ou temporariamente tranquilo ao ponto de não desejar sumir.
E tudo parece um semi-orgasmo mítico, que nunca irá se concretizar,sempre inventando placebos, paradoxalmente conscientes.
Resgatando amores antigos, e beijos esquecidos no tempo e situações que bem poderiam estar em outra dimensão, a dimensão distante das lembranças engavetadas.
E tudo sempre poderia ser melhor, aquele discurso elaborado e ensaiado somente dentro da própria cabeça, que espera um momento exato para se libertar, e esse momento nunca chega.
Nada nunca é o que se quer, nunca é o que se espera, nunca se explora o máximo, como uma explosão em contagem regressiva em que o botão vermelho emperra.
E aquele sorriso amarelo das sombras das pessoas,um óculos escuro colocado em frente à vida, pra descansar os olhos e esconder as olheiras profundas.
As conversas e as pessoas,os livros e as músicas,filmes e viagens de fim de semana,as lágrimas derramadas no escuro do quarto,o travesseiro úmido e a alma seca.
Não existe calma,e a motivação infecta de um delírio casual se sobrepõe,ininterruptamente,às satisfações,ou alegrias, mesmo que extremamente sóbrias , conscientes e superficiais.
Não há exceção, não há regra.
E ontem eu esperei o telefone tocar, e ele permaneceu imóvel, como meus olhos, como minhas pernas, e como tudo em volta, espreitando cada ângulo do meu corpo.
Eu lembro de tudo que vivi, tudo que esperei, tudo que quis, tudo que prometi, tudo que ansiei, e tudo parece que foi escrito à lápis em um guardanapo,um recado, um gracejo pra Deus, que o garçom não entregou.
Deus e sua imaginação, Deus e seus discípulos incrédulos.
E ontem ainda lembrei novamente de todas as pessoas, e lembrei de você,e do tempo que desperdicei,e das vozes que ouvi, e tudo que representou,por tanto tempo.
O livro que não escrevi, o talento que acreditei ter,o que represento para cada um que passou por mim, e as palavras que entreguei,para todos eles,meio desconfiado.
E a música que toquei e alguém ouviu, distraidamente,esbarrando nos muros frios e sólidos, e reverberando,ácidas,para se desfazer em ruídos minúsculos dentro de cada
um, dentro de mim, do universo, da calçada suja de uma cidade qualquer.
E eu me vejo só, e olho para o lado e não existe ninguém, não existe humanidade, é apenas um termo, e todos estamos sós e entregues ao mundo e seus significados.
E cada vez mais acredito que pensar é inútil,e nunca nada vai fazer sentido.
Sempre que alguém lê algo assim pensa: é um suicida.
Mas é com uma tranquilidade absurda que entro, pisando suavemente,e assoviando, nesse amplo galpão (e só me alegro e satisfaço totalmente quando constato isso),que é onde não se pensa, não se acha sentido, não se infere nada, não se adivinha,não se lê,não se cria expectativas,não se tenta dar significado a nada, e é aí que tudo, paradoxalmente faz sentido, e nesse caos, nessa ausência total de sentido que se descobre um medo brutal,de se ver perdido e nu,e que é exatamente o que somos.
Não sabemos de onde viemos, pra onde vamos, e o que somos e queremos ser felizes em totalidade?
Repito: não existe satisfação total
E eu sigo sóbrio, errante ,com a consciência tranquila e despreocupado,porque não existem desejos,nem problemas, nem mágoas.
Andei pensando sobre isso, e sobre aquele beijo que podia ter te dado naquele dia, e sobre o que se passa em sua cabeça.
Andei pensando que não dirijo,não gosto de ir no banco, não gosto de igrejas, nem de quem mente a si mesmo.
E quando te abraço,e quando passo a mão em teu rosto,e quando faço alguém rir, e quando desfaço um nó que estava encrustrado na alma pálida de alguém,aí sim me sinto vivo, nesse momento me sinto mais perto da imaginação de Deus.
Ontem ouvi novamente aquela música que me faz chorar, e li um trecho de um livro do Hesse e andei sozinho pelas ruas, sem pensar em nada,apenas andando para que o cansaço físico me satisfizesse quando eu deitasse e encostasse a cabeça no travesseiro, e lembrasse de novo do que eu perdi,daquela paixão que foi embora, daquele amigo que era o mais amigo de todos e sabia de tudo que acontecia, e que agora se perdeu.
A garoa e o frio invadem profundamente minha alma, e eu lembro de quem eu não amei, de quem quis apenas uma palavra minha e eu não dei, de quem queria apenas minha atenção e eu recusei, do abraço que não dei quando os braços esperavam, abertos, de quando não disse para quem eu gosto, que essa pessoa é importante pra mim, e nas brigas idiotas por coisas pequenas, e do orgulho, do não-perdoar, do egoísmo frio, do medo de sentir, do medo de demonstrar, do medo absolutamente desnecessário de se importar, de ir além, de ser.
E eu lembrei por um instante que apesar de nada fazer sentido,há um sentido maior, que nos é incompreensível, e que pode ser Deus, mesmo que ele não exista.
Ou nós somos a imaginação de Deus ou ele é a nossa, e embora nada faça sentido, há uma vida pra viver, e mesmo sem satisfação plena,eu me movo em direção a algo
que pode ser o fim ou o começo.
Luciano Pires
Andei pensando sobre o que me faz feliz, ou satisfeito, ou temporariamente tranquilo ao ponto de não desejar sumir.
E tudo parece um semi-orgasmo mítico, que nunca irá se concretizar,sempre inventando placebos, paradoxalmente conscientes.
Resgatando amores antigos, e beijos esquecidos no tempo e situações que bem poderiam estar em outra dimensão, a dimensão distante das lembranças engavetadas.
E tudo sempre poderia ser melhor, aquele discurso elaborado e ensaiado somente dentro da própria cabeça, que espera um momento exato para se libertar, e esse momento nunca chega.
Nada nunca é o que se quer, nunca é o que se espera, nunca se explora o máximo, como uma explosão em contagem regressiva em que o botão vermelho emperra.
E aquele sorriso amarelo das sombras das pessoas,um óculos escuro colocado em frente à vida, pra descansar os olhos e esconder as olheiras profundas.
As conversas e as pessoas,os livros e as músicas,filmes e viagens de fim de semana,as lágrimas derramadas no escuro do quarto,o travesseiro úmido e a alma seca.
Não existe calma,e a motivação infecta de um delírio casual se sobrepõe,ininterruptamente,às satisfações,ou alegrias, mesmo que extremamente sóbrias , conscientes e superficiais.
Não há exceção, não há regra.
E ontem eu esperei o telefone tocar, e ele permaneceu imóvel, como meus olhos, como minhas pernas, e como tudo em volta, espreitando cada ângulo do meu corpo.
Eu lembro de tudo que vivi, tudo que esperei, tudo que quis, tudo que prometi, tudo que ansiei, e tudo parece que foi escrito à lápis em um guardanapo,um recado, um gracejo pra Deus, que o garçom não entregou.
Deus e sua imaginação, Deus e seus discípulos incrédulos.
E ontem ainda lembrei novamente de todas as pessoas, e lembrei de você,e do tempo que desperdicei,e das vozes que ouvi, e tudo que representou,por tanto tempo.
O livro que não escrevi, o talento que acreditei ter,o que represento para cada um que passou por mim, e as palavras que entreguei,para todos eles,meio desconfiado.
E a música que toquei e alguém ouviu, distraidamente,esbarrando nos muros frios e sólidos, e reverberando,ácidas,para se desfazer em ruídos minúsculos dentro de cada
um, dentro de mim, do universo, da calçada suja de uma cidade qualquer.
E eu me vejo só, e olho para o lado e não existe ninguém, não existe humanidade, é apenas um termo, e todos estamos sós e entregues ao mundo e seus significados.
E cada vez mais acredito que pensar é inútil,e nunca nada vai fazer sentido.
Sempre que alguém lê algo assim pensa: é um suicida.
Mas é com uma tranquilidade absurda que entro, pisando suavemente,e assoviando, nesse amplo galpão (e só me alegro e satisfaço totalmente quando constato isso),que é onde não se pensa, não se acha sentido, não se infere nada, não se adivinha,não se lê,não se cria expectativas,não se tenta dar significado a nada, e é aí que tudo, paradoxalmente faz sentido, e nesse caos, nessa ausência total de sentido que se descobre um medo brutal,de se ver perdido e nu,e que é exatamente o que somos.
Não sabemos de onde viemos, pra onde vamos, e o que somos e queremos ser felizes em totalidade?
Repito: não existe satisfação total
E eu sigo sóbrio, errante ,com a consciência tranquila e despreocupado,porque não existem desejos,nem problemas, nem mágoas.
Andei pensando sobre isso, e sobre aquele beijo que podia ter te dado naquele dia, e sobre o que se passa em sua cabeça.
Andei pensando que não dirijo,não gosto de ir no banco, não gosto de igrejas, nem de quem mente a si mesmo.
E quando te abraço,e quando passo a mão em teu rosto,e quando faço alguém rir, e quando desfaço um nó que estava encrustrado na alma pálida de alguém,aí sim me sinto vivo, nesse momento me sinto mais perto da imaginação de Deus.
Ontem ouvi novamente aquela música que me faz chorar, e li um trecho de um livro do Hesse e andei sozinho pelas ruas, sem pensar em nada,apenas andando para que o cansaço físico me satisfizesse quando eu deitasse e encostasse a cabeça no travesseiro, e lembrasse de novo do que eu perdi,daquela paixão que foi embora, daquele amigo que era o mais amigo de todos e sabia de tudo que acontecia, e que agora se perdeu.
A garoa e o frio invadem profundamente minha alma, e eu lembro de quem eu não amei, de quem quis apenas uma palavra minha e eu não dei, de quem queria apenas minha atenção e eu recusei, do abraço que não dei quando os braços esperavam, abertos, de quando não disse para quem eu gosto, que essa pessoa é importante pra mim, e nas brigas idiotas por coisas pequenas, e do orgulho, do não-perdoar, do egoísmo frio, do medo de sentir, do medo de demonstrar, do medo absolutamente desnecessário de se importar, de ir além, de ser.
E eu lembrei por um instante que apesar de nada fazer sentido,há um sentido maior, que nos é incompreensível, e que pode ser Deus, mesmo que ele não exista.
Ou nós somos a imaginação de Deus ou ele é a nossa, e embora nada faça sentido, há uma vida pra viver, e mesmo sem satisfação plena,eu me movo em direção a algo
que pode ser o fim ou o começo.
Luciano Pires
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