Aquele sopro de saudade inconsistente...
um alvorescer óbvio.
E seu rosto desbotou ,numa memória fajuta...
Ouvi pela segunda vez a voz cega do meu vício
e nesse instante me pareceu menos única aquela frase que sussurrei.
Me beije em pensamento.
Me olhe, me toque.
Um espelho de costas, refeletindo o abismo.
te dei a mão,te dei asas.
te dei um arco-íris preto e branco.
te dei milagres.
Aquele breve esvoaçar de imagens...
seus olhos fechados,seu gosto...
e apenas um eco infinitamente sobreposto.
dei de comer a mil monstros
sobrevivi.
E ainda hoje vejo a minúscula linha que equilibra a Lua
linda e pálida, sobre nossas cabeças.
Luciano Pires
quarta-feira, 23 de janeiro de 2008
Desire
Me atormenta te ver intranquila,rangendo os dentes freneticamente como se estivesse por morrer...te deixei ver entre a porta entreaberta, um risco de sangue no chão,quase negro,deslizando como uma serpente por entre os pés pálidos da estátua no canto da sala...tua garganta ainda tem as marcas suaves dos meus dedos...um odor silencioso de sombras cruas e distorcidas permeia toda a sala...meu sussurro invade teus ouvidos...teus olhos fixos.
_ Foi por você que meus pés caminharam até aqui...
Não obtive resposta...teus cabelos negros tingiam e abraçavam o tapete da sala...
Corri brevemente por entre meus pensamentos...te estendi a mão, ela deslizou por entre meus dedos.
Tua boca exalava fétidos poemas de amor, eu aspirava tudo,ansiosamente.
Teu sexo gélido...tua face sorria mentindo certezas e eu me envolvi sordidamente entre teus braços.
Te possuí calmamente,sutilmente adentrei teu universo perdido,tua alma em desuso.
Me atormenta teu olhar vazio, tua incerteza maldita,tua fragilidade indócil, teu mal-estar mágico.
Seria apenas um beijo fútil,ardendo meus lábios, e neles depositaria todo o asco e toda a delicadeza de uma vida.
Luciano Pires
_ Foi por você que meus pés caminharam até aqui...
Não obtive resposta...teus cabelos negros tingiam e abraçavam o tapete da sala...
Corri brevemente por entre meus pensamentos...te estendi a mão, ela deslizou por entre meus dedos.
Tua boca exalava fétidos poemas de amor, eu aspirava tudo,ansiosamente.
Teu sexo gélido...tua face sorria mentindo certezas e eu me envolvi sordidamente entre teus braços.
Te possuí calmamente,sutilmente adentrei teu universo perdido,tua alma em desuso.
Me atormenta teu olhar vazio, tua incerteza maldita,tua fragilidade indócil, teu mal-estar mágico.
Seria apenas um beijo fútil,ardendo meus lábios, e neles depositaria todo o asco e toda a delicadeza de uma vida.
Luciano Pires
sábado, 27 de outubro de 2007
Sonhos Artificiais
Não me censurem por desejar amores e estrelas,
e os enxergar em poças d'água sem fundo.
Não me espanquem com seus olhos,velhos conhecidos...
Masquei dissabores,lembrei de músicas apagadas,
Notas cruas de melodias inaudíveis.
Os vi,de longe,sombras descalças em ruas de pedra.
Os óculos na ponta do nariz,olhos vermelhos de ódio.
Metralhadoras de gritos e silêncios...
Não me provem que a dúvida é real,
Não tenho respostas,não me vejo por inteiro.
Crueldades,cálices de rancor sorvidos de gole em gole,
E um sorriso frio.
Na saudade improvável de mitos e Deuses
Sangrei colorido,
Em meus sonhos artificiais...
e os enxergar em poças d'água sem fundo.
Não me espanquem com seus olhos,velhos conhecidos...
Masquei dissabores,lembrei de músicas apagadas,
Notas cruas de melodias inaudíveis.
Os vi,de longe,sombras descalças em ruas de pedra.
Os óculos na ponta do nariz,olhos vermelhos de ódio.
Metralhadoras de gritos e silêncios...
Não me provem que a dúvida é real,
Não tenho respostas,não me vejo por inteiro.
Crueldades,cálices de rancor sorvidos de gole em gole,
E um sorriso frio.
Na saudade improvável de mitos e Deuses
Sangrei colorido,
Em meus sonhos artificiais...
Silêncio
Em um sussurro silencioso,
mil asas sobrevoam seu olhar.
E a lágrima se suicida,pífia,por escorrer em tão belo rosto.
Dois dedos de saudade sem retorno(apesar dos avisos).
Sem sequer ter visto ou conhecido
Mais saudade sem fim, mais amor sem começo
E aquele triste soar de relógios,quase melancólicos
Um vento fino por sobre as árvores,e a imensidão dúbia do anoitecer.
Um beijo monótono,um morno abraço de adeus,um cruel fechar de olhos.
E eu ali em pé,morto de cansaço,as mãos rasgadas...
Como foi seu dia?
Silêncio
Nunca houve conversas,nunca houve bom dias...
E naquela porta que vc entrava,eu nunca vi
E naquele toca-discos,só a poeira do tempo a girar...
E naquele filme,só os atores a repetir as mesmas frases sem sentido
Um sentido que fugiu,com os segredos na alma...
De sentir saudade de quem nunca vi...
mil asas sobrevoam seu olhar.
E a lágrima se suicida,pífia,por escorrer em tão belo rosto.
Dois dedos de saudade sem retorno(apesar dos avisos).
Sem sequer ter visto ou conhecido
Mais saudade sem fim, mais amor sem começo
E aquele triste soar de relógios,quase melancólicos
Um vento fino por sobre as árvores,e a imensidão dúbia do anoitecer.
Um beijo monótono,um morno abraço de adeus,um cruel fechar de olhos.
E eu ali em pé,morto de cansaço,as mãos rasgadas...
Como foi seu dia?
Silêncio
Nunca houve conversas,nunca houve bom dias...
E naquela porta que vc entrava,eu nunca vi
E naquele toca-discos,só a poeira do tempo a girar...
E naquele filme,só os atores a repetir as mesmas frases sem sentido
Um sentido que fugiu,com os segredos na alma...
De sentir saudade de quem nunca vi...
Pôr do Sol
O silêncio brusco,
Um desalento macabro
E a espera de mil anos condensados num suspiro e numa poesia mal feita
Liguei minha alma numa voltagem errada
e morri por alguns segundos.
Num sussurro inaudível te desejei boa sorte
e vc não teve.
Amarrei minhas lembranças ao pé da cama, e elas fugiram.
Te chamei, agredi meu espírito, pisoteei meus sonhos
e acabei voltando cabisbaixo pra dentro do copo sujo, onde bebi teu nome e vomitei amores.
A solidão se arrasta,mal acompanhada
A maneira quase idiota de querer de volta algo que não é meu
E um resquício de esperança aguarda, na fila, a hora de agonizar.
Sem malabarismos e sem crueldade,vejo por cima dos ombros, um pôr-do-sol.
Um desalento macabro
E a espera de mil anos condensados num suspiro e numa poesia mal feita
Liguei minha alma numa voltagem errada
e morri por alguns segundos.
Num sussurro inaudível te desejei boa sorte
e vc não teve.
Amarrei minhas lembranças ao pé da cama, e elas fugiram.
Te chamei, agredi meu espírito, pisoteei meus sonhos
e acabei voltando cabisbaixo pra dentro do copo sujo, onde bebi teu nome e vomitei amores.
A solidão se arrasta,mal acompanhada
A maneira quase idiota de querer de volta algo que não é meu
E um resquício de esperança aguarda, na fila, a hora de agonizar.
Sem malabarismos e sem crueldade,vejo por cima dos ombros, um pôr-do-sol.
quarta-feira, 5 de setembro de 2007
Desvarios
Meus lábios mergulham num oceano de medo
sorvem meticulosamente cada átomo de dor
Provocantemente estúpido a ponto de perder o rumo
Permaneço sábio,sonolento e incrivelmente sóbrio.
Mudo,ouvi cada sopro de angústia
adormeci sereno em meio às explosões de sonhos
Então você veio e me pediu perdão
e eu pedi que você sumisse
Em meio à loucura obtive êxito
e subitamente mascarei a fúria
Me arrependi das palavras sãs
e chorei mantras sagrados
Morri nesse segundo,ainda respirando
E seus olhos ainda me fitavam
Acenei num sorriso trôpego
Maldizendo deuses e agradecendo ao infinito
E quando notei que te amava
as cores frias levantaram vôo
e as melodias tristes desbotaram
escorrendo,lindas,para o esgoto do céu.
sorvem meticulosamente cada átomo de dor
Provocantemente estúpido a ponto de perder o rumo
Permaneço sábio,sonolento e incrivelmente sóbrio.
Mudo,ouvi cada sopro de angústia
adormeci sereno em meio às explosões de sonhos
Então você veio e me pediu perdão
e eu pedi que você sumisse
Em meio à loucura obtive êxito
e subitamente mascarei a fúria
Me arrependi das palavras sãs
e chorei mantras sagrados
Morri nesse segundo,ainda respirando
E seus olhos ainda me fitavam
Acenei num sorriso trôpego
Maldizendo deuses e agradecendo ao infinito
E quando notei que te amava
as cores frias levantaram vôo
e as melodias tristes desbotaram
escorrendo,lindas,para o esgoto do céu.
quinta-feira, 9 de agosto de 2007
Saudade
Sentado em frente aos seus olhos
Cuspia sentimento em tua cara
Metia o dedo em sua alma
Arrancava incongruências
Desatava nós de culpa
E você vomitava fumaça e indiferença
Palavras suadas
desabavam sobre um leito vazio.
te dei a mão...
Um vazio esticado no ar...
Um ódio quase celestial...
Sorvi aquele último afago,
Traguei aquele último suspiro.
A porta bateu desesperada
engolindo o silêncio.
A certeza me atropelava
Meu medo me tranquilizava
Sóbrio,sem sequelas,calado
E aquele último acorde
Soando até o infinito...
Cuspia sentimento em tua cara
Metia o dedo em sua alma
Arrancava incongruências
Desatava nós de culpa
E você vomitava fumaça e indiferença
Palavras suadas
desabavam sobre um leito vazio.
te dei a mão...
Um vazio esticado no ar...
Um ódio quase celestial...
Sorvi aquele último afago,
Traguei aquele último suspiro.
A porta bateu desesperada
engolindo o silêncio.
A certeza me atropelava
Meu medo me tranquilizava
Sóbrio,sem sequelas,calado
E aquele último acorde
Soando até o infinito...
domingo, 29 de julho de 2007
Mergulhos da Alma
Um dedo toca-lhe a pele
Aperta temerosamente
Ele exprime um vício de linguagem qualquer
de dentro do prato sujo da alma.
_ Não cuspa_ repete-lhe a mulher
Ele engole inexpressivamente aquela migalha de sonho
Acalme-se...
Os olhos,lindos espelhos quebrados...
Estilhaçados.
Vomita as visões que lhe imbuíram
Maltrata a coragem de quem lhe enviou
E as asas à mostra comprovam isso.
O segredo, o sussurro,a revelação...
O medo sopra-lhe o rosto
Enruga-se,grita solenemente mil insultos.
As lentas chicotadas lhe castigam o dorso
As letras desviam-se da poesia
E cai sobre sua cabeça o desalento
A suavidade mórbida de se sentir sóbrio
em meio ao turbilhão de intensos mergulhos à deriva da alma.
Aperta temerosamente
Ele exprime um vício de linguagem qualquer
de dentro do prato sujo da alma.
_ Não cuspa_ repete-lhe a mulher
Ele engole inexpressivamente aquela migalha de sonho
Acalme-se...
Os olhos,lindos espelhos quebrados...
Estilhaçados.
Vomita as visões que lhe imbuíram
Maltrata a coragem de quem lhe enviou
E as asas à mostra comprovam isso.
O segredo, o sussurro,a revelação...
O medo sopra-lhe o rosto
Enruga-se,grita solenemente mil insultos.
As lentas chicotadas lhe castigam o dorso
As letras desviam-se da poesia
E cai sobre sua cabeça o desalento
A suavidade mórbida de se sentir sóbrio
em meio ao turbilhão de intensos mergulhos à deriva da alma.
sexta-feira, 27 de julho de 2007
Sonhos
Meu corpo nu,estilhaçando metáforas...
A desilusão me morde o rosto
A consciência sangrando
mil gotas de luz
se derramando.
Percebo seu rosto, seu sangue
sua vida,seus erros...
sua mão,sempre aberta...
o desespero quieto...
minha calma exasperada
defendendo minha alma de um perigo inexistente.
Cru e amargo
Engulo seco,procurando sentido...
Muitas vezes eu dormi, esperando a brutal entrega
dos sonhos
Pressenti a presença etérea de mil vozes cintilantes
flutuando por sobre odores infectos
gritando cores,triturando canções
Meu espírito nu,desbravando paraísos
Explode em minha face a transparência
Deito tranquilo por sobre esse espinhos
enquanto um corvo negro me espreita por entre as frestas da dúvida.
A desilusão me morde o rosto
A consciência sangrando
mil gotas de luz
se derramando.
Percebo seu rosto, seu sangue
sua vida,seus erros...
sua mão,sempre aberta...
o desespero quieto...
minha calma exasperada
defendendo minha alma de um perigo inexistente.
Cru e amargo
Engulo seco,procurando sentido...
Muitas vezes eu dormi, esperando a brutal entrega
dos sonhos
Pressenti a presença etérea de mil vozes cintilantes
flutuando por sobre odores infectos
gritando cores,triturando canções
Meu espírito nu,desbravando paraísos
Explode em minha face a transparência
Deito tranquilo por sobre esse espinhos
enquanto um corvo negro me espreita por entre as frestas da dúvida.
quarta-feira, 4 de julho de 2007
Desejos crus
Aquele acorde tímido
de um violão morto
e a voz breve e úmida
me traz um medo indecente
de morrer.
E quem nasce tem o desejo
inocente e pútrido.
Odeio seu olhar perdido
Meu amor irritante
Em mim vejo manchas de sangue
No espelho somente um sopro remotamente vago
de quem pertiu sem deixar saudades, ou dúvidas.
Nada no bolso de trás da calça,
nemhum cigarro na mão, nem dedos, nem acenos, nada
Aquela tarde sinistra e morna
O Sol escapando por sobre seus ombros
a beleza maldita de um entardecer qualquer.
Um sorriso desaba sobre a tristeza e a valida ainda mais
não subi essas escadas pra ver a paisagem,
nem pra me jogar.
Queria crescer, mas me cortaram as pernas.
Calei-me diante de seus olhos,e eles dispararam correndo por sobre a grama alta do meu pensamento, se escondendo,traindo, revelando.
Me dê a mão, me sonhe.
A solidão é pedra afiada sob a palma da mão
O sangue aquece, embora queime a alma com um leve beijo.
de um violão morto
e a voz breve e úmida
me traz um medo indecente
de morrer.
E quem nasce tem o desejo
inocente e pútrido.
Odeio seu olhar perdido
Meu amor irritante
Em mim vejo manchas de sangue
No espelho somente um sopro remotamente vago
de quem pertiu sem deixar saudades, ou dúvidas.
Nada no bolso de trás da calça,
nemhum cigarro na mão, nem dedos, nem acenos, nada
Aquela tarde sinistra e morna
O Sol escapando por sobre seus ombros
a beleza maldita de um entardecer qualquer.
Um sorriso desaba sobre a tristeza e a valida ainda mais
não subi essas escadas pra ver a paisagem,
nem pra me jogar.
Queria crescer, mas me cortaram as pernas.
Calei-me diante de seus olhos,e eles dispararam correndo por sobre a grama alta do meu pensamento, se escondendo,traindo, revelando.
Me dê a mão, me sonhe.
A solidão é pedra afiada sob a palma da mão
O sangue aquece, embora queime a alma com um leve beijo.
Assinar:
Postagens (Atom)