terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Desespero

Todos os erros elegantes e suas cartolas equilibradas de dores e angústias.
Todos os dias de solidão e a paz derramada no carpete imundo da sala.
Todos os crimes e os silêncios.
Todos os espelhos quebrados.
Todos os passos pra trás quando se estava à um passo do paraíso.
Todos os saltos para a frente quando se estava à beira do abismo.
Todas as conversas da madrugada,os desvios,a sensação de sonhar acordado.
Toda a inutilidade vil do pensamento e da ansiedade.
Toda a certeza desconstruída.
De mãos dadas.
Toda a beleza de se movimentar lentamente ,passo a passo,pé ante pé,em direção ao nada.
Toda a consciência obliterada
o muro baixo
O viaduto que passa por entre os carros.
A janela aberta.
A bituca de cigarro.
O vento frio.
o gole de vinho.
Todos os abraços mímicos.
A música que ninguém ouviu.
O copo quebrado
a dança descompassada
O tombo
O riso
A tristeza encharcada de alegria.
Todos as naturezas
O âmago mais profundo da alma.
Todos as verdades caindo lentamente como folhas de outono.
Teu sussurro,tua voz inaudível,teu sorriso.
Todas as vontades e os livros e seus personagens.
Toda a suavidade do acreditar.
Toda a vida,a saudação certeira,o juramento,as orações.
Tudo de mais vasto que meus olhos podem abarcar.
Está em ti.
E entre agarrar o mundo e te deixar ir
Que o caos se instale
Enquanto te abraço,em uma nuvem de fumaça,flutuando febril pelo horizonte calmo do desespero.

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