quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Amor em Osasco

Você toda ali
Sorrindo, bela
Do outro lado da esteira
Na linha amarela
Nunca mais teu rosto
Teu gosto teu nome
Você até deu uma risada
Mas não ouvi, tava de fone
E a vida segue
No suave andar das horas
Do tempo, timeline finita
Queria cinema
Mas só tem dublado
Queria amor gritando
Mas está tudo tão calado
Vejo o mesmo livro
Na banca
Por 4,90
Que ninguém quer
E a mesma fila do ônibus
O mesmo vendedor de Suflair
O mesmo cobrador, o mesmo funk sem fone
Sem nome ou sobrenome
E então acho que te vejo
E malabarizo as palavras
Como artista de semáforo
Mas não é teu rosto
Quem dera fosse diferente
Que amor fosse como, em Osasco, encontrar carrinho de cachorro quente.

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