quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Primeiro Capítulo do livro que um dia farei. Uma aventura fantástica sobre um jovem negro e mitologia africana.



Tonho, tonho! Tininha esmurrava o peito de Antônio com tal força que os nós dos seus dedos se avermelhavam...

Ele permanecia estático, com os olhos virados e brancos, exprimia palavras incompreensíveis e seu dedo deslizava na areia branca da praia formando alguns símbolos enigmáticos...
Ela se desesperava e gritava com ele. De repente seus olhos e sua respiração voltaram ao normal e lentamente todos os sentidos se aprumaram. 

_Tá tudo bem?
 _Por que não taria? 
_Agorinha mesmo cê tava estrebuchando feito porco abatido aí no chão... 
_Senti nada não, só tive um sonho estranho, num lugar diferente,parecia até outro país.
_Cê precisava ver,cê disse umas palavra estranha,ficou repetindo Ogunhê, Ogunhê. 
_E eu lá sei que palavra é essa, Tininha,cê deve tá louca. 
_Deixe pra lá, Tonho, vamo pra casa, mainha deve tá doida de esperar pela gente. 
_Não conte nada pra ela,tá bem? _Só se tu me deixá andar na tua bicicleta. 
_Tudo bem,sua peste. 

A noite chegou, as sombras escorregaram vagarosamente por sobre a praia e as águas do mar prendiam a respiração esperando o amanhecer. 
Muito tempo se passou e aquele episódio distante já se havia apagado da memória de Antônio,tinha passado a tarde toda com Ana, a filha da vizinha, uma morena magra, com olhos negros espertos e um cheiro de flores no cabelo que sempre o deixava embriagado. se despediu de Ana,beijou sua boca delicadamente e com um aceno preguiçoso prometeu que no dia seguinte se encontrariam ali na praia, no mesmo horário.
Andou vagarosamente pela areia,olhando para os seus pés, distraído, quando enxergou um velho negro com uma expressão séria, ele se assustou por um instante, mas prosseguiu andando, era tarde e sua mãe ainda não perdera a mania de ficar preocupada com ele, mesmo sendo um rapaz forte e corajoso.

 _Quem é você?
 _Meu nome é Orunmilá. 

O senhor exalava um cheiro forte e permanecia estático,quando de repente lhe estendeu um saco de pano. 

_Tome,é um presente,aí dentro está teu destino e o teu caminho,é o que te fará homem e o que te dará coragem quando fraquejar. 
Antônio esticou a mão e sentiu os dedos formigarem quando tocou de leve o que lhe foi ofertado.

 _Obrigado, mas o que é isso?_ele foi abrindo o saco pra espiar o conteúdo, quando repentinamente o velho tossiu e fez com que tudo estremecesse ao redor.
 _Não abra!quando o dia chegar o segredo será revelado e então saberás como agir e o que fazer.Disse isso e desapareceu sobre as águas pouco a pouco, até sumir completamente na escuridão da noite. Na manhã seguinte, acordou com uma enxaqueca terrível,sua mãe,Dona Manu, lhe trouxe um remédio e perguntou: 

_Onde cê tava ontem à noite? 
_Estava com Ana 
_Espero que tu tenha juízo,moleque,toda noite fico morta de preocupação.
_Pode deixar,mãe. Dona Malu mal havia deixado o quarto, ele se virou e pegou o saco que o velho havia lhe dado, tomou-o nas mãos e ficou admirando,tendo que se esforçar pra não abrir tamanha a curiosidade que lhe apossava,havia uma inscrição em vermelho"Apo Iuá ", ele ficou repetindo essas palavras por um longo tempo até que o sono se apoderou dele novamente e ele adormeceu.

Acordou com Ana olhando para sua cara com uma expressão estranha. 

_O que foi? 
_Cê tava dizendo algumas palavras estranhas,e virando de um lado para outro na cama feito uma cobra, "Wa ati bo”. _Que isso? 
_Uma palavra que ouvi no meu sonho. _Que quer dizer? _Não sei,ainda não sei.Que estranho. 

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