quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Caos

Está tudo um caos,e a única maneira condizente de espantar esses fantasmas decorrentes desses inescrupulosos pensamentos é derreter meu cérebro deliberadamente,me aprofundar em um precipício linear,me jogar de olhos fechados nesse turbilhão de vazios e sombras que se encontram parados em minha frente, de braços cruzados e esperando um jorrar de delírios que se transformarão em vozes e essas vozes em silêncios até que se forre o chão com um nada absoluto,e em minha mão ainda resta uma letra de uma palavra de uma frase de uma estrofe de uma poesia que eu nunca vou lembrar, e você me olha espantada e me pergunta milhões de questões e eu nunca encontrarei respostas.Meu cérebro agoniza e chora as lágrimas que meus olhos abdicaram,me previ, me antecipei e não soube utilizar,me vi em frangalhos diante de um espelho escuro.
E hoje é dia 26,um dia qualquer em um universo qualquer,diante da grandeza incólume de um Deus inexistente.
Fiz minhas malas,chorei pelos espíritos que acorrentei,me entreguei quase aflito às dúvidas que brotaram do asfalto,me vesti com aquele casaco surrado,toquei pela última vez aquela música eterna.
Mil segredos revelados,mil tumbas esperando o próximo morto a ressucitar,e as pedras caladas de um desfiladeiro qualquer me enterrarão em uma avalanche póstuma,selando um paradoxo milenar.
Não me envolvo com mitos, tampouco sobrevivo enclausurado em nuances pouco sutis de teorias e lendas,mas o caos instalado me encanta e devolvo mastigado o alimento putrefato feito de crenças e subterfúgios que você me fez acreditar.
Um sistema único,um catastrófico arrebatar de almas perdidas,guiando cegamente aqueles que se encontrarão na praça destruída do mundo que restou.
E eu te vejo,nua,machucada,encostada tristemente num muro de saudades,sangrando pelos poros,te enxergo melancolicamente, te toco com as mãos que você mutilou, e tristemente te vejo se desmanchar no ar, intuitivamente me viro e sigo viagem.
Está tudo um caos e silenciosamente a Terra gira...
Vestido de vertigens,eu vomito, cambaleante,as certezas que tinha antes de tudo vir a desmoronar.

sábado, 16 de fevereiro de 2008

Blue

Enquanto descanso
de mim mesmo
apodreço, relutante
A dor mergulha
sem oxigênio
com a saudade a tiracolo e
me sinto tão desligado de tudo
como se meu umbigo tivesse sido cortado
o que me funde ao universo
me contrai e destrói
dissimulando odores
do que se varreu pra debaixo do céu
a porta aberta,imaculada
e os olhos vigiando o nada
e a beleza trágica de dois segundos sorrindo
dá lugar ao sono brutal
um pesadelo reconfortante
Se ao menos pudesse escolher
se pudesse ler a tinta invisível
com a qual foi escrito o livro mágico da vida
me vejo perdido,mortalmente aceito
e arrastado por ventos escuros e violentos
nada me cura,nada me alimenta
e as cores sobram pra fora da alma
descuidadas
um aborto espontâneo de crenças
um suicídio numa manhã de dezembro
calado como um imã desmagnetizado
sôfrego,desmanchando ,derramando tristezas pelo caminho
e sua imagem me vem como uma miragem em preto e branco
um espelho quebrado em mil pedaços
Descobri tardiamente que nada vai estancar
o sangue que meus olhos vertem
iluminados pela dor estagnada da certeza
que nada vai voltar.

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